
Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, em parceria com a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, 59% da população brasileira possui sobrepeso ou obesidade, com base no Índice de Massa Corporal (IMC) dos entrevistados. Além disso, a pesquisa mostrou um grande contraste entre a percepção de saúde dos brasileiros e a realidade das doenças crônicas no país.
A pesquisa Meu Peso, Minha Jornada, que teve abrangência nacional, entrevistou 2.012 brasileiros com idade média de 43 anos. O objetivo do levantamento era explorar as percepções dos brasileiros em relação ao sobrepeso e obesidade, considerada uma doença crônica pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
“O estudo buscou entender se as pessoas estão preocupadas com o peso, se elas têm intenção de modificar essa situação, se elas entendem a relação da obesidade com outras doenças e que tipo de tratamento fariam. Ou seja, o estudo deu passos bem largos e profundos na autopercepção de saúde e da obesidade e o que pode ser feito em relação a isso”, afirmou Bruno Geloneze, professor e pesquisador da Universidade de Campinas (UNICAMP) e membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).
De acordo com o especialista, a obesidade está vinculada a mais de 200 condições de saúde, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares (como hipertensão, acidente vascular cerebral, ou AVC, e insuficiência cardíaca).
Na visão do pesquisador, esse contraste representa uma dissociação entre a autopercepção e o estado real de saúde das pessoas.
“Essa lacuna precisa ser preenchida de alguma forma, com consultas regulares, com avaliação adequada para saber se a pessoa tem uma boa saúde mesmo ou se tem algum outro problema de saúde”, afirma o especialista. “Algumas pessoas respondem que têm boa saúde, mas, quando você investiga, elas têm pressão alta. Isso atribui uma certa benignidade a condições que não necessariamente são benignas”, alerta.
O especialista destaca que os resultados da pesquisa apontam a necessidade urgente de maior conscientização sobre a doença. “Essa análise ressalta a importância de orientarmos a população a buscar uma avaliação mais especializada em relação a questões de metabolismo e obesidade, prevenindo a progressão para problemas mais graves. A falta de acompanhamento especializado pode resultar em diagnósticos tardios de condições relacionadas, como doenças cardiovasculares e diabetes, o que pode levar a complicações adicionais e impactar negativamente a qualidade de vida do paciente”, observa.

