Após 95 dias de internação por leucemia mieloide aguda, Remi Domingos Lorandi, de 69 anos, conseguiu realizar um dos maiores desejos da família: acompanhar pessoalmente o casamento da filha, Gabrieli Lira Lorandi, de 30 anos, em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha. A presença dele na cerimônia, realizada em 3 de outubro de 2026, foi possível graças a uma operação especial de transporte em ambulância de UTI móvel, com acompanhamento médico.
A história começou a mudar em 1º de julho, quando Remi recebeu o diagnóstico de leucemia mieloide aguda com cariótipo complexo, uma forma agressiva de câncer que compromete as defesas do organismo. Desde então, ele passou por diferentes etapas de quimioterapia, infecções, complicações clínicas e períodos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Mesmo diante do agravamento do quadro de saúde, o pai da noiva não queria que o casamento fosse adiado ou cancelado. Segundo Gabrieli, a proximidade da cerimônia era uma das principais motivações dele durante a internação. Frequentemente, Remi perguntava quantos dias faltavam para a data.
Inicialmente, diante dos riscos de deslocamento, a família planejava transmitir a cerimônia ao vivo para que ele pudesse acompanhar tudo do hospital. A situação mudou poucos dias antes do casamento, quando Remi recebeu alta da UTI e o hematologista responsável pelo tratamento, Thiago Daltoe, apresentou a possibilidade de transportá-lo até a igreja em uma ambulância equipada como unidade de terapia intensiva.
A proposta foi imediatamente aceita pelo paciente. Em menos de 24 horas, familiares e profissionais de saúde organizaram a estrutura necessária, incluindo transporte especializado, acompanhamento médico e uma logística para que ele pudesse retornar diretamente ao quarto após a cerimônia.
A chegada de Remi à igreja surpreendeu os convidados, muitos dos quais não o viam pessoalmente desde o início dos 95 dias de internação. Como não tinha condições físicas de caminhar, ele não pôde conduzir a filha até o altar. A missão ficou com a mãe de Gabrieli, sua companheira há 39 anos.
Um dos momentos mais emocionantes aconteceu quando a noiva se aproximou do pai. Muito emocionado, Remi conseguiu abençoar a filha e o genro, fazendo o sinal da cruz na testa dela.
Após a celebração, ele foi levado novamente ao hospital, onde permanece internado e continua enfrentando os desafios do tratamento. Apesar das dificuldades, a família comemora avanços em seu estado de saúde: Remi já não precisa de oxigênio, não utiliza sondas e voltou a se alimentar sozinho.
Para Gabrieli, a experiência transformou a maneira como a família enxerga a vida e reforçou a importância de valorizar cada momento ao lado das pessoas queridas.


