O Paraguai vive uma crise política que pode terminar com a saída do presidente Santiago Peña. O país vive uma profunda crise política após vir à tona um escândalo envolvendo a quebra do banco “Ueno”, que deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios depósitos, inclusive vários brasileiros que vivem naquele país.
O Ueno fechou as portas na terça-feira (3), depois que o Banco Central daquele país iniciou o processo de liquidação da instituição, por insuficiência de recursos para cobrir as obrigações do banco, relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à instituição.
O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. O presidente, que também é economista, foi acionista do grupo proprietário do Ueno até março do ano passado.
Ontem, em meio à pressão política, Santiago Peña anunciou que pretendia renunciar ao cargo. A Câmara dos Deputados, no entanto, aprovou a abertura do processo de impeachment contra o ele. Na prática, o Congresso ignorou o pedido de renúncia do presidente. O Senado deve retomar a análise do impeachment contra Peña nesta sexta-feira (6).
A acusação apontou possíveis conflitos de interesse, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários. Os parlamentares também acusaram o Banco Central de encobrir irregularidades.
O Senado do Paraguai retoma nesta sexta-feira (6) o julgamento do processo de impeachment do presidente Santiago Peña. A sessão será dedicada à apresentação da defesa do presidente, que poderá comparecer pessoalmente ou enviar um advogado para representá-lo.
Depois da manifestação de Peña nesta sexta, os senadores deverão analisar as provas apresentadas pela acusação e pela defesa. Na sequência, as partes terão a oportunidade de apresentar seus argumentos finais. Só então os 45 integrantes do Senado votarão o impeachment.
Para afastar Peña definitivamente, serão necessários pelo menos 30 votos favoráveis, o equivalente a dois terços dos senadores. Se condenado, ele perderá o mandato e também deixará de ter direito à condição de senador vitalício.


