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Superior de sociedade católica tradicional aponta erros na recente declaração do Vaticano

Pedro Ivon
Publicado 20/12/2023
Pe. Davide Pagliarani (Foto: FSSPX) e Papa Francisco (Foto: Reuters)

Na última segunda-feira (18), o Dicastério para a Doutrina da Fé publicou a declaração Fiducia supplicans, dizendo que “casais irregulares” e uniões entre pessoas do mesmo sexo poderiam receber bênçãos por parte de sacerdotes. O documento foi aprovado pelo Papa Francisco. Na última terça-feira (19), o superior-geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), padre Davide Pagliarani, emitiu um comunicado sobre o assunto.

O texto explica que não é possível abençoar os integrantes de um casal sem abençoar a união em si, e que isso seria “uma realidade que é intrinsecamente má e escandalosa”. “Fomentar pastoralmente esse tipo de bênção leva, na prática, inexoravelmente à aceitação sistemática de situações incompatíveis com a lei moral, diga-se o que se disser”, diz o padre Pagliarani.

Ainda segundo ele, a “linguagem enredada e vestimenta sofisticada” da Fiducia supplicans não conseguem ocultar a “realidade elementar” das bênçãos, que seria a de, segundo o padre, “confirmar essas uniões em sua situação intrinsecamente pecaminosa e encorajar outros a segui-las”.

Para ler o comunicado na íntegra, em inglês ou espanhol, aqui e aqui.

A FSSPX é uma sociedade sacerdotal internacional fundada pelo arcebispo Dom Marcel Lefebvre em 1970, com sede em Menzingen, na Suíça. Seus bispos e padres guardam a doutrina e os ritos tradicionais da Igreja conforme ensinados e praticados desde os primórdios da Igreja até a década de 1960, quando o Concílio Vaticano II propôs mudanças radicais no que vinha sendo ensinado e feito até então.

Outras oposições ao novo decreto

Bispos de Malawi, na África | Foto: reprodução/internet

O arcebispo Dom Tomash Peta e seu bispo auxiliar Dom Athanasius Schneider, da arquidiocese de Maria Santíssima de Astana, no Cazaquistão, decidiram não seguir a declaração do Vaticano, emitindo comunicado afirmando que as bênçãos nele autorizadas contradizem “direta e seriamente a Revelação Divina e a doutrina da Igreja”.

O presidente da Conferência Episcopal do Malawi, na África, Dom George Desmond, também optou por não permitir as bênçãos em todo o território do país, em uma declaração assinada por outros bispos pertencentes à conferência. O motivo seria para não confundir os fiéis. Ainda na África, os bispos do país de Zâmbia também se recusaram a aplicar a declaração do Vaticano.

O novo ensinamento do decreto é infalível?

De acordo com o estabelecido em documentos prévios da Igreja Católica, o novo ensinamento da Fiducia supplicans não pode ser considerado infalível ou obrigatório. Apesar de ter a aprovação do Papa Francisco, o Concílio Vaticano I, em sua 4ª sessão, estabeleceu que o Papa é infalível sob certas condições, que seriam a de definir alguma doutrina sobre fé e moral, falando enquanto sucessor de São Pedro e querendo falar à Igreja inteira e não a uma parcela dela.

É possível verificar, contudo, que o decreto não define doutrina alguma e não obriga os sacerdotes católicos a dar as bênçãos, caso lhes sejam requisitadas, deixando a cargo de um “discernimento prudente e paterno”. Além disso, vai de encontro ao que já havia sido definido anteriormente, como dito pelos bispos do Cazaquistão.

Sobre as uniões tratadas no documento do Vaticano

A Igreja Católica estabelece como uniões irregulares aquelas onde um dos integrantes do casal já recebeu validamente o sacramento do matrimônio anteriormente e veio a se separar, unindo-se a outra pessoa posteriormente. Nesse caso, se estaria cometendo um pecado de adultério, pois a união do primeiro matrimônio é considerada indissolúvel.

No caso das uniões entre pessoas do mesmo sexo, a doutrina perene da Igreja ensina que não podem ocorrer. Entre os motivos está a de que elas não cumprem aquele que é indicado como o objetivo primeiro do casamento, a geração de filhos de maneira natural, como ensinado em documentos pontifícios anteriores, como a Casti Connubii, do Papa Pio XI, e mesmo nas escrituras bíblicas.

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2 comments on “Superior de sociedade católica tradicional aponta erros na recente declaração do Vaticano”

  1. A Igreja Católica tem regras. Há dois mil anos há uma Tradição que seguem, e que, com o passar dos anos, a compreensão vai aperfeiçoando, embora não mude essencialmente. No entanto, e infelizmente, os últimos papas insistem em causar confusão e discórdia entre os seus num claro movimento de se adequar ao mundo moderno. Cada dia que passa verificamos sua dissolução, embora, como dito, tenha uma Tradição fundamental. Os católicos que se esforçam por seguir esta Tradição são denominados de tradicionalistas. Aqueles que decidiram em seguir o movimento atualizante dos papas pós-CVII se chamam conciliares continuístas e/ou conciliares modernistas, que almejam o progresso e a separação da atual crise de sua Tradição.

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