


Durante uma operação sigilosa realizada no último sábado (2), o criminoso Fernandinho Beira-Mar foi transferido para a Penitenciária Federal de Catanduvas (PR). Anteriormente, ele estava no Presídio Federal de Mossoró (RN), de onde dois detentos de sua facção fugiram no último mês de fevereiro. Ao todo, 23 presos foram transferidos para outras quatro penitenciárias federais.
Pelo menos outros dois detentos foram transferidos para Catanduvas, sendo eles Railan Silva dos Santos e Selmir da Silva Almeida, ambos do Acre. Eles haviam chegado à Penitenciária de Mossoró junto a Deibson Nascimento e Rogério Mendonça, que fugiram no dia 14 do último mês.
Fernandinho Beira-Mar havia chegado à Mossoró ainda este ano, transferido de Campo Grande. Na ocasião, Marcinho VP saiu da penitenciário do Rio Grande do Norte para a de Campo Grande. A decisão foi da Polícia Federal Penal, por questão de segurança.
Em nota, a Corregedoria da Penitenciária Federal de Mossoró afirmou que o rodízio de internos é uma estratégia de rotina e foi feito por causa de um pedido do diretor do Sistema Penitenciário Federal. Veja o comunicado a seguir:
“O rodízio de internos entre as penitenciárias do Sistema Penitenciário Federal é estratégia de rotina. A transferência de presos da Penitenciária Federal de Mossoró, nas últimas horas, foi autorizada, mediante solicitação do Diretor do Sistema Penitenciário Federal, pela Corregedoria da Penitenciária Federal de Mossoró, tendo em conta essa necessidade de rodízio.
Ademais, a Portaria nº 615, de 2024, do Ministério da Justiça, autorizou o emprego de Força Penal Nacional, em caráter episódico e planejado, para treinamento, sobreaviso e reforço da segurança externa da Penitenciária Federal em Mossoró.
O treinamento intensivo quanto ao cumprimento dos protocolos de segurança, que conta com a participação também do Grupo de Ações Especiais Penitenciárias, está sendo realizado dentro da unidade prisional, o que requer a redução da quantidade de internos.
O efetivo transferido e o atual mantido na unidade não serão divulgados por questão de segurança.
Assessoria de Comunicação da Justiça Federal do RN”.
Abaixo, veja também a nota da Secretaria Nacional de Políticas Penais:
“A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), por intermédio da Diretoria do Sistema Penitenciário Federal (DISPF), realizou, entre os dias 1º e 3 de março, o rodízio periódico de 23 presos entre as Penitenciárias Federais, com a finalidade de garantir o enfraquecimento das lideranças do crime organizado.
Ressalta-se que o remanejamento de presos no âmbito do Sistema Penitenciário Federal é medida importante para seu perfeito funcionamento, pois visa impedir articulações das organizações criminosas dentro dos estabelecimentos de segurança máxima, além de enfraquecer e dificultar vínculos nas regiões onde se encontram as Penitenciárias Federais.
É importante salientar que a movimentação dos internos é parte da rotina das unidades e, por questões de segurança, a Senappen não informa a localização dos presos, nem detalhes dessas operações”.

Fernandinho Beira-Mar, um dos fundadores do Comando Vermelho, relatou a seus advogados que estava “feliz” com a fuga de dois homens da Penitenciária Federal de Mossoró há 11 dias, em 14 de fevereiro. Beira-Mar também está preso em Mossoró.
Considerado uma das lideranças do CV, embora não seja mais o chefe da facção, Beira-Mar foi transferido para Mossoró em janeiro deste ano.
Beira-Mar, segundo advogados que estiveram com ele nesta semana, exaltou a façanha da fuga de Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento, que é inédita na história dos presídios federais.
O traficante comentou que acredita que a fuga ocorreu por uma “sequência de erros e acasos” da administração do presídio, contaram integrantes de sua defesa.
Segundo advogados, o traficante não falou sobre as consequências que a fuga pode causar à facção.

Preso na penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande, desde 2019, Luiz Fernando da Costa, mais conhecido como Fernadinho Beira-Mar, de 56 anos, passou por perícia psiquiátrica nos últimos dias, de acordo com o que foi apurado pelo g1. Com a consulta, o preso tenta liberdade para tratamento psicológico fora da cadeia.
O exame, solicitado pela defesa de "Fernandinho Beira-Mar", tem como objetivo corroborar com a tese de que o presidiário tem insanidade mental derivada das condições às quais ele submetido na prisão, de acordo com os advogados do homem que foi considerado um dos maiores traficantes do Brasil.
