Foto: Luca Bruno/AP Photo/picture alliance

As 27 nações da União Europeia aprovaram na terça-feira (7) a primeira lei voltada para o combate à violência contra mulheres a ser adotada em todos os Estados-membros.

A legislação aprovada pelos ministros da Igualdade de todos os países do bloco tem como objetivo punir a violência de gênero, mutilações genitais femininas, casamentos forçados e atos de violência através da internet, como o assédio online e compartilhamento não consensual de conteúdo íntimo.

A lei torna mais fácil para as vítimas denunciarem os crimes, que poderão acarretar penas de até cinco anos de prisão, sendo que as punições para crimes contra crianças, esposas, ex-esposas, políticos, jornalistas e ativistas dos direitos humanos podem ser ainda maiores.

As sentenças, no entanto, dependerão da definição vigente em cada país. Apesar disso, as novas regras, por exemplo, exigem que todos os Estados-membros assegurem a pena máxima de cinco anos de prisão para mutilações genitais.

Os países do bloco poderão determinar sentenças máximas mais altas do que as colocadas pela nova lei europeia, mas, em nenhum caso, mais baixas do que o estabelecido pelas novas regras.

A divulgação de imagens sexuais explícitas de qualquer pessoa sem consentimento e os casos nos quais essa conduta seria "causa provável de danos graves a essa pessoa" devem ser punidos com ao menos um ano de prisão.

A aprovação da nova legislação é algo incomum na União Europeia, uma vez que Bruxelas raramente legisla sobre questões criminais, que normalmente ficam a cargo de cada Estado-membro.

Fracasso na definição comum de estupro

Mas, apesar da unanimidade entre os países no que diz respeito à necessidade da lei, os Estados-membros fracassaram na tentativa de elaborar uma definição comum para o estupro, o que gerou desentendimentos entre diferentes países durante as negociações.

Nações como Itália e Grécia defendiam a inclusão de uma definição. Já outras, como Alemanha e França, alegavam que a União Europeia não possui competência sobre essa questão.

Antes da reunião dos representantes das 27 nações em Bruxelas, a ministra da Igualdade da Espanha, Ana Redondo, disse que preferia que a legislação fosse "um pouco mais ambiciosa", mas disse se tratar de um "bom começo".

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