


O mercado de tecnologia no Brasil oferece salários de até R$ 53,6 mil por mês em cargos estratégicos, mas enfrenta dificuldade para encontrar profissionais qualificados. Segundo estudo do Inteli em parceria com a consultoria WKS, a demanda por trabalhadores da área chegou a 665 mil entre 2019 e 2024, enquanto a oferta de novos profissionais ficou em cerca de 464 mil, gerando um déficit de 30,2%.
A pesquisa analisou 72,7 mil anúncios de emprego publicados entre abril e junho de 2025 e, após filtros metodológicos, chegou a uma base de 19.655 vagas de tecnologia. As oportunidades estão concentradas principalmente em desenvolvimento de software, que representa 35,7% das vagas, infraestrutura e suporte (23,2%) e dados e inteligência artificial (17,7%).
Apesar do destaque dado à inteligência artificial, o estudo aponta que a maior parte das contratações ainda está relacionada a funções tradicionais de tecnologia. Desenvolvimento de software e infraestrutura, juntos, concentram quase seis em cada dez vagas. Segundo o levantamento, cerca de 80% das pequenas e médias empresas apresentam baixa maturidade tecnológica, o que mantém a demanda por profissionais dessas áreas.
As maiores remunerações estão concentradas principalmente em cargos de liderança e gestão, além de funções especializadas em segurança e inteligência artificial. Entre os maiores salários estão:
O estudo também aponta que profissionais técnicos especializados podem alcançar remunerações elevadas sem necessariamente seguir uma trajetória tradicional de gestão.
Entre as vagas com salários divulgados, oportunidades que exigem conhecimentos em inteligência artificial aparecem com maior frequência nas faixas de remuneração mais altas. Em vagas com salários superiores a R$ 10 mil, a presença de conhecimentos em IA é aproximadamente duas vezes maior do que entre as oportunidades que não mencionam a tecnologia.
O inglês também aparece como diferencial. Apenas 7,5% das vagas analisadas exigem explicitamente o idioma, mas, entre elas, 46,2% oferecem salários entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Nas vagas que não exigem inglês, essa proporção é de 22,3%.
Certificações e conhecimentos especializados em computação em nuvem, segurança da informação, engenharia de dados e inteligência artificial também são valorizados pelos empregadores.
Entre as habilidades comportamentais mais procuradas estão comunicação, criatividade, organização, trabalho em equipe e liderança. Já entre os conhecimentos técnicos mais citados aparecem computação em nuvem, metodologias ágeis, AWS, Azure e Windows.
As oportunidades não estão distribuídas igualmente entre os profissionais que estão começando. Infraestrutura e suporte lidera entre as áreas analisadas, com 43% das vagas destinadas a iniciantes. Em seguida aparecem automação de processos e sistemas (40%), testes e controle de qualidade (26%), projetos e gerenciamento (24%), desenvolvimento de software (22%), dados e inteligência artificial (18%) e segurança da informação (17%).
Para Lucas Niemeyer, coordenador de pesquisa e diretor de Comunidade e Cultura da Inteli, a combinação entre conhecimento técnico, capacidade de aprendizado contínuo, visão de negócio e comunicação tende a ser cada vez mais importante no mercado.
O levantamento também aponta que a tecnologia já representa 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e deixou de ser uma demanda exclusiva das empresas do setor, passando a ser estratégica para áreas como bancos, varejo, hospitais, indústria e agronegócio.
