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Professora relata trauma após ter imagem usada em vídeos pornôs criados por IA na Bahia: 'Faltou ar, faltou chão'

Rádio Sampaio com G1
Publicado 05/08/2026
Professora denuncia que teve vídeos pornográficos criados por IA e compartilhados em site em Feira de Santana — Foto: Freepik

 

"Na hora que eu vi, eu engasguei, faltou ar, faltou chão." Foi assim que uma professora de 47 anos descreveu o momento em que descobriu que sua imagem havia sido usada para criar vídeos pornográficos falsos com Inteligência Artificial (IA), uma prática conhecida como deepfake sexual.

A descoberta aconteceu no dia 20 de julho em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, e veio à tona após estudantes alertarem a vítima sobre a existência das publicações em uma plataforma de conteúdo adulto.

A professora acredita que as montagens tenham sido feitas por adolescentes de 15 e 17 anos, possivelmente alunos ou ex-alunos, a partir de fotografias retiradas de suas redes sociais. O caso está sendo investigado pela Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI).

Em um dos vídeos, ela aparece usando a camisa da escola onde trabalha. Em outro, seu rosto foi manipulado para simular uma cena de sexo oral. Juntas, as duas publicações somavam cerca de 27 mil visualizações quando foram encontradas.

Ela contou que, ao acessar o site, sentiu um misto de medo, angústia e indignação.

"É um carrossel de sensações. É medo, é angústia, ansiedade, indignação, porque você não escolhe estar ali. Sua imagem foi pega, foi utilizada de um jeito que você jamais espera. Eu jamais esperaria estar aqui agora falando sobre isso, mas é necessário, porque as pessoas precisam entender que quem está naquele vídeo é, antes de tudo, uma pessoa."

🔍 Os chamados deepfakes sexuais são montagens produzidas com inteligência artificial que utilizam fotografias ou vídeos reais para criar imagens falsas de nudez ou de relações sexuais. Em muitos casos, basta uma foto publicada nas redes sociais para que ferramentas de IA gerem conteúdos falsos com aparência realista.

Inicialmente, a professora não acreditou quando alguns estudantes disseram que havia um vídeo seu em uma plataforma pornográfica. Pouco depois, decidiu verificar o conteúdo.

"Eu estava no meu ambiente de trabalho e algumas pessoas me alertaram afirmando que tinha um vídeo meu em uma plataforma de pornografia. Na hora, eu nem me atentei. Depois, me deu um estalo e eu fui ver o que estava acontecendo."

Ao acessar o site, encontrou dois vídeos publicados com sua imagem. O primeiro, de cerca de dez segundos, mostrava a professora vestindo a camisa da escola. O segundo utilizava uma fotografia frontal do seu rosto para simular uma cena de sexo oral.

Depois da descoberta, a professora fez capturas de tela, salvou os links das publicações e registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam). Em seguida, procurou a Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI), responsável pela investigação, já que suspeita que os autores sejam menores de idade.

Ela afirma que decidiu tornar o caso público não apenas para buscar a responsabilização dos envolvidos, mas também para alertar outras vítimas e mostrar que o silêncio fortalece esse tipo de violência. Segundo a professora, a motivação dos responsáveis não foi sexual, mas de humilhação.

A delegada Clécia Vasconcelos informou ainda que a investigação sobre o caso da professora está na fase final e que os policiais já conseguiram identificar o computador utilizado para praticar o crime.

"Já estamos na fase final da investigação. Já foi identificado o computador no qual foi emitida essa fraude. É bom lembrar que esses crimes virtuais são investigados e a responsabilidade criminal é apontada."

Para a delegada Clécia Vasconcelos, trata-se de uma das formas mais graves de violência virtual da atualidade.

"É a forma mais perversa do cyberbullying. Podemos afirmar que neste ano já triplicou o número de casos dessa natureza, principalmente no ambiente escolar."

Segundo a delegada, as mulheres são as principais vítimas. "Esses crimes atacam o psicológico da vítima e é importante dizer que, em 98% dos casos, a vítima é uma mulher."

A orientação da Polícia Civil é que a vítima não apague as provas. O recomendado é fazer capturas de tela das publicações, salvar os links e registrar um boletim de ocorrência o mais rapidamente possível.

 

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