


Um casal que se apresentava como pastores evangélicos foi indiciado pela Polícia Civil de Roraima por estuprar seis adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos. Wenderson Lima de Souza, 32 anos, e Arielly Kamyla Moraes de Souza, 24 anos, usavam a liderança religiosa para atrair as vítimas, manipulá-las e silenciá-las, segundo a investigação. Uma tesoureira da igreja, de 20 anos, também foi indiciada por destruir provas e envolver menores no ato.
A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) concluiu o inquérito nesta semana e encaminhou o caso ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. A delegada Kamilla Basto, responsável pelas investigações, representou pela prisão preventiva do casal.
As apurações tiveram início em abril deste ano, após o registro de boletim de ocorrência feito pelo responsável de uma adolescente de 14 anos. Durante o inquérito, outras cinco vítimas procuraram a polícia com relatos semelhantes. A investigação identificou ao todo 11 possíveis vítimas, mas cinco não quiseram prestar depoimento.
De acordo com a polícia, o casal explorava a confiança depositada na posição de líderes religiosos para praticar os abusos. Eles recorriam a argumentos de cunho religioso, ofereciam dinheiro, transferências via Pix e outras vantagens para impedir denúncias. Documentos da igreja previam punições a fiéis que questionassem a autoridade dos pastores, o que reforçava o ambiente de intimidação, aponta o relatório policial.
A tesoureira da igreja foi filmada incentivando duas adolescentes — uma delas vítima — a destruir a marteladas o celular de Wenderson, aparelho que, segundo a polícia, continha provas dos crimes. Nas imagens obtidas pela reportagem, a mulher diz: “Meu amor, quebra mais. Ainda não é suficiente”. Quando a primeira adolescente se cansa, a irmã dela, também menor, continua o trabalho até o aparelho soltar faíscas. A jovem de 20 anos ainda orientou uma das vítimas a registrar boletim de ocorrência falso informando o extravio do telefone. Ela foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores.
Wenderson Lima foi indiciado por estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica. Arielly Kamyla responde por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.
“A investigação foi particularmente complexa pelo elevado grau de dissimulação dos investigados, que utilizavam justamente a confiança das vítimas como instrumento de dominação e silenciamento”, afirmou a delegada Kamilla Basto.
