


Em Alagoas, a eleição de 2026 parece ter começado muito antes do primeiro voto.
Desde as primeiras movimentações, o tabuleiro político foi sendo montado peça por peça. Alianças foram construídas, grupos se reorganizaram, antigos adversários se aproximaram e velhos aliados passaram a ocupar lados diferentes.
Nada disso aconteceu por acaso. Num jogo político acirrado, cada movimento importa. O rei chama atenção, as torres ocupam espaços, os bispos procuram as diagonais, os cavalos surpreendem e até o peão, muitas vezes subestimado, pode chegar ao outro lado do tabuleiro e mudar a partida.
Mas eleição não é xadrez. Porque existe uma peça que ninguém controla completamente, o eleitor. Na disputa pelo Governo de Alagoas, duas mensagens passaram a simbolizar projetos colocados diante da população.
De um lado, “Pra Alagoas fazer história de novo”. Do outro, “Por toda Alagoas”.
Poucas palavras, grandes significados políticos. Uma mensagem procura dialogar com a memória de uma gestão e com a ideia de retomada. A outra busca transmitir expansão territorial de um projeto administrativo, apresentando a experiência da capital como referência para alcançar o restante do estado.
E entre o “de novo” e o “por toda”, está Alagoas. Está o eleitor da capital e do interior. Do litoral, da Zona da Mata, do Agreste e do Sertão. Está quem olha para o que já foi realizado e quem procura saber o que poderá ser feito daqui para frente.
É aí que o tabuleiro fica ainda mais interessante. Porque a eleição não se resume ao Governo. Há Presidência da República, duas vagas para o Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa. E, nas proporcionais, aquela peça aparentemente pequena pode ser decisiva, é no deputado estadual e no deputado federal que municípios procuram representação, emendas, projetos e presença política.
Por isso, talvez a grande pergunta deste momento não seja quem fez a melhor jogada. A pergunta é outra, a pouco tempo das urnas, o eleitor alagoano já fez seu juízo de valor? Já definiu suas escolhas para a majoritária? Já decidiu quem merece representá-lo nas proporcionais? Ou ainda observa o tabuleiro, esperando os últimos movimentos antes de mover sua própria peça?
Campanhas apresentam slogans. Candidatos contam suas histórias. Coligações exibem suas forças. Pesquisas procuram fotografar o momento. Mas nenhuma dessas coisas substitui o voto. No dia da eleição, o tabuleiro muda de mãos. Sai das estratégias dos partidos, dos marqueteiros, das lideranças e das coligações e chega à cabine de votação.
Ali não existe discurso de palanque. Existe uma pessoa diante da urna e das próprias convicções. Talvez seja justamente essa a beleza e, também, a responsabilidade da democracia, os políticos movimentam as peças durante meses, mas quem encerra a partida é o eleitor.
E você, eleitor alagoano, já fez o seu juízo de valor ou ainda espera a última jogada desse tabuleiro eleitoral de 2026?
Por Helvio Peixoto.
