


Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) e alvo central das investigações da CPMI do INSS e da Operação Sem Desconto, apresentou-se na noite desta quarta-feira (12) à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, acompanhado de advogados, após negociação entre sua defesa e a corporação. Ele tinha prisão preventiva decretada desde novembro de 2025 pelo ministro André Mendonça, do STF.
A apresentação encerra o período em que Lopes era considerado foragido. Em nota, a PF confirmou que ele se entregou e será encaminhado ao sistema prisional após os procedimentos de praxe. A audiência de custódia está prevista para esta quinta-feira (13), ainda sem horário definido.
Lopes é investigado por suspeita de liderar um esquema de descontos associativos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Segundo a Polícia Federal, o núcleo ligado à Conafer teria permitido o desvio de mais de R$ 708 milhões, com recursos direcionados a empresas de fachada, enriquecimento ilícito e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. A PF encaminhou ao STF o relatório final sobre o caso, que embasou o indiciamento de 48 pessoas.
Em setembro de 2025, o presidente da Conafer já havia sido detido em flagrante enquanto prestava depoimento à CPMI do INSS, no Congresso Nacional. O então presidente da comissão, senador Carlos Viana (PSD-MG), afirmou que Lopes teria mentido deliberadamente ao negar conhecimento sobre pessoas e empresas ligadas à entidade e investigadas por irregularidades. Ele ficou custodiado em uma sala no Senado e foi solto após pagar fiança.
A Operação Sem Desconto apura o esquema de fraudes bilionárias por descontos não autorizados. A nona fase da operação, em novembro de 2025, resultou no mandado de prisão contra Lopes, que não foi localizado na ocasião.
