HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto

 

A cúpula do PL não trabalha, ao menos neste momento, com a possibilidade de retirar Alfredo Gaspar (PL-AL) da chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O deputado foi anunciado como candidato a vice-presidente na quarta-feira (5/8), mas a escolha provocou contrariedade entre aliados que esperavam uma mulher para ocupar a vaga. A informação foi publicada pelo portal Metrópoles.

A reação foi mais forte entre integrantes da ala feminina do partido. Durante a pré-campanha, o próprio Flávio havia sinalizado preferência por uma mulher. A ideia era que a escolha ajudasse a ampliar a candidatura e aproximasse o senador de eleitoras que ainda demonstram resistência ao bolsonarismo.

A definição de Gaspar também trouxe para o centro da campanha dois assuntos que envolvem o deputado: uma acusação de estupro de vulnerável, que ele nega, e questionamentos sobre uma emenda Pix de aproximadamente R$ 6,2 milhões destinada ao município de São José da Laje (AL).

Aliados de Flávio dizem que as duas questões eram conhecidas antes da escolha. Mesmo assim, o grupo responsável pela candidatura decidiu seguir com Gaspar e afirma ter confiança no deputado.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), têm descartado uma mudança na composição da chapa. Segundo um dirigente da legenda, ouvido sob reserva, uma substituição só ocorreria se o próprio Gaspar desistisse da candidatura.

A campanha agora tenta aparar as arestas que surgiram em torno do vice antes do início da propaganda eleitoral, em 16 de agosto.

Gaspar contesta acusações

Gaspar contesta a acusação. Segundo ele, os fatos apresentados pelos parlamentares dizem respeito a seu primo, e não a ele. O deputado afirma que o parente, quando menor de idade, teve uma relação consensual com outra menor, que engravidou.

Na quinta-feira (6/8), Alfredo Gaspar recorreu ao STF para tentar acelerar a realização de um exame genético. A defesa pediu a coleta de material para um teste de DNA, com o objetivo de verificar se o deputado é o pai da criança citada na acusação. A equipe jurídica da campanha do PL, segundo interlocutores, também passou a monitorar o caso.

A segunda questão envolve recursos públicos. O TCU analisou uma “emenda Pix” de cerca de R$ 6,2 milhões indicada por Gaspar para São José da Laje. Segundo a auditoria, houve problemas que dificultaram o acompanhamento da execução da verba.

O ministro Flávio Dino, do STF, determinou que a Polícia Federal analise possíveis irregularidades relacionadas a essa e a outras emendas.

Gaspar nega qualquer ilícito. Em nota, ele afirmou que o assunto voltou a ser discutido por causa de um “momento de evidente acirramento político, logo após sua oficialização como candidato à vice-presidência da República pelo PL”.

O deputado também disse que a Procuradoria-Geral da República (PGR) analisou os recursos e arquivou o caso. “Não tendo sido identificados elementos que justificassem o prosseguimento”, declarou.