


Alagoas inicia mais uma campanha eleitoral. E, como costuma acontecer na Terra dos Marechais, o começo oficial da disputa chega depois de dias em que os bastidores falaram quase tão alto quanto os palanques.
Dois jovens entram no tabuleiro embalados por slogans de forte apelo popular, um querendo “fazer história de novo”; o outro levando a mensagem de estar “por toda Alagoas”. Expressões simples, próprias da comunicação eleitoral, mas que agora precisarão ultrapassar o limite das peças publicitárias para encontrar respaldo nas ruas e, principalmente, nas urnas.
Foram cerca de dez dias de expectativas, especulações, conversas atravessadas, irritações, mudanças de humor e muitas contas refeitas. Lideranças do litoral ao Sertão acompanharam cada movimento tentando descobrir onde terminaria aquela arrumação. Houve quem comemorasse, quem se frustrasse e quem precisasse redesenhar estratégias construídas meses antes.
Agora, as peças estão postas.
E uma máxima volta a fazer sentido, política na Terra dos Marechais não é jogo para amadores.
Alagoas tem uma tradição política que atravessa gerações. Aqui, uma movimentação feita na capital repercute imediatamente nos municípios, uma composição majoritária pode reorganizar alianças construídas durante anos e, uma decisão tomada numa sala fechada pode produzir consequências nas praças, feiras e comunidades do interior.
Depois de tantas movimentações, a disputa pelo Governo ganhou contornos claros de polarização. Na corrida pelo Senado, o cenário também se apresenta competitivo, reunindo trajetórias, experiências e diferentes estratégias eleitorais.
Entre as composições apresentadas ao eleitorado está a experiência de quem reivindica uma atuação construída por meio de políticas públicas que alcançam diferentes regiões do Estado, do litoral ao Sertão. Ao mesmo tempo, a presença feminina nas chapas amplia a representação da mulher no centro das decisões políticas de Alagoas.
O plantel de 2026 demorou a entrar em campo.
Mas entrou.
A partir de agora, não bastam fotografias, slogans, discursos ou demonstrações de força partidária. Começa uma etapa diferente: a do convencimento popular.
Porque, depois que os dirigentes movimentam as peças, quem assume o comando definitivo do tabuleiro é o eleitor.
E existe algo simbólico nesta eleição. Alagoas carrega consigo uma relação histórica singular com a própria formação política do Brasil. É a Terra dos Marechais, Estado que viu filhos seus ocuparem a Presidência da República e que, desde os primeiros capítulos republicanos, participa intensamente dos grandes acontecimentos nacionais.
Em 2026, essa ligação entre Alagoas e o cenário brasileiro ganha novamente destaque com a presença de um alagoano de raízes quebrangulenses, ligado ao Vale do Paraíba, integrando uma chapa presidencial como candidato a vice-presidente da República.
É mais um capítulo de uma história que parece insistir em lembrar ao Brasil que Alagoas, apesar de pequena em território, nunca aceitou ser pequena em participação política.
Do litoral ao Sertão, do Agreste ao Vale do Paraíba, das cidades maiores aos pequenos municípios, começa agora outra caminhada.
Os candidatos apresentarão suas propostas. As coligações defenderão seus projetos. Os palanques tentarão conquistar as ruas. As redes sociais disputarão narrativas. E as lideranças municipais procurarão transformar alianças em votos.
Mas existe uma peça que nenhum estrategista controla completamente: a vontade popular.
É ela que pode confirmar previsões ou desmontar estratégias consideradas perfeitas. É ela que transforma favoritos em derrotados e desconhecidos em protagonistas. Porque campanha eleitoral pode começar nos gabinetes, passar pelos palanques e ganhar força nas redes, mas termina inevitavelmente diante da urna.
O xadrez foi arrumado.
As peças estão posicionadas.
Os jogadores entraram em campo.
Agora começa a verdadeira partida.
E, mais uma vez, a Terra dos Marechais estará diante da oportunidade de escrever outro capítulo de sua longa história política, enquanto o Brasil volta seus olhos para outubro.
Porque, quando a história nacional chama, Alagoas quase sempre encontra uma maneira de estar presente.
E desta vez não será diferente.
Por: Helvio Peixoto.
