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Influenciador dos Houthis usou IA do Brasil para obter dados militares

Rádio Sampaio com Metrópoles
Publicado 26/09/2026
Art Metrópoles

 

Os caminhos de Wissam Maarouf e da empresa eesier se cruzaram em setembro do último ano quando o homem, que tem ligações com o grupo Houthis do Iêmen, usou uma ferramenta de inteligência artificial (IA) disponibilizada pela empresa do Brasil para buscar informações militares. O principal foco dele eram acontecimentos na região do Mar Vermelho, onde a organização iemenita realizava ataques naquela altura.

Ao Metrópoles, a eesier revelou algumas das pesquisas realizadas pelo iemenita dentro da ferramenta de IA, antes de ser bloqueado. Entre elas, monitoramento de incidentes, localização e rotas de embarcações, relatórios detalhados sobre ataques contra navios, solicitações de análises produzidas por uma empresa britânica especializada em segurança marítima.

Focada em conectar empresas a novos clientes, a eesier fornece um assistente de IA no WhatsApp para tarefas que vão desde organização de agendas, até a abordagem de possíveis novos consumidores e agendamento de reuniões. Na época em que tudo aconteceu, a ferramenta também permitia que buscas na internet fossem realizadas, sem que fosse preciso sair do aplicativo de mensagens.

Wissam Maarouf foi bloqueado da plataforma após a empresa detectar um volume de uso muito acima do habitual, com padrões de pesquisa considerados suspeitos.

A principal hipótese é de que o iemenita tenha chegado ao assistente de maneira orgânica, após a eesier divulgar atualizações do seu assistente de IA nas redes sociais.

“Uma coisa que sempre fazemos é incorporar os novos modelos de inteligência artificial à ferramenta conforme são lançados. Então, na época, divulgamos uma dessas atualizações nas redes sociais convidando as pessoas a conhecer um dos modelos novos por meio do nosso assistente. A hipótese é de que ele tenha encontrado o eesier dessa forma, possivelmente no Twitter, embora não tenhamos confirmação”, disse a empresa em nota encaminhada à reportagem.

Depois de bloquear o acesso de Wissam Maarouf, os únicos rastros que sobraram do homem foram o seu número de celular, com código internacional do Iêmen, e uma foto usada no perfil do WhatsApp.

Na fotografia, o homem aparece vestindo o traje típico iemenita composto de uma túnica conhecida como thobe, paletó e um xale de lã. Na cintura, o “influenciador” carregava uma Jambiya, tradicional adaga do Iêmen, junto de um rifle russo Kalashnikov, popularmente conhecido como AK-47, apoiado nas pernas.

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