


Cerca de 39 milhões de brasileiros vivem em áreas ameaçadas pela desertificação, processo de degradação do solo que reduz a capacidade de retenção de água e de sustentação da vida. O fenômeno atinge principalmente o Nordeste e será debatido pelo Brasil na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), marcada para ocorrer na Mongólia entre 17 e 28 de agosto.
A desertificação está relacionada principalmente ao desmatamento, ao uso inadequado do solo e às variações climáticas. Segundo dados da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), cerca de 18% do território brasileiro é formado por Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD).
Entre 2000 e 2020, a área afetada pelo processo no país passou de 1,35 milhão para 1,51 milhão de quilômetros quadrados, um aumento de 170 mil km², área equivalente à soma dos territórios de Pernambuco, Paraíba e Alagoas.
Os impactos são mais intensos nos nove estados do Nordeste, além de áreas do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo, do nordeste do Rio de Janeiro e do noroeste de Mato Grosso do Sul.
A Caatinga é o bioma brasileiro que apresenta os níveis mais graves de deterioração do solo. Cerca de 11% do bioma, aproximadamente 100 mil km², está em situação crítica e severa, enquanto 42,6% da vegetação nativa já foi suprimida.
Especialistas destacam que a preservação da Caatinga também contribui para o combate às mudanças climáticas. Estudos apontam que o bioma possui alta capacidade de armazenamento de carbono, principalmente no solo.
O Brasil é signatário da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação desde 1997. Em março de 2026, foi lançado o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil 2025–2043).
Outra iniciativa é o Programa Recaatingar, lançado em junho, que tem como meta recuperar produtivamente 10 milhões de hectares de áreas degradadas da Caatinga nos próximos 20 anos.
Entre as estratégias estão a recuperação do solo, a segurança hídrica, a adaptação às mudanças climáticas e o fortalecimento de práticas tradicionais das comunidades locais.
A Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), que reúne mais de 3 mil organizações, também atua na região com iniciativas como cisternas, pequenas barragens, conservação de sementes adaptadas e técnicas agrícolas voltadas à convivência com o semiárido.
Na COP17, representantes brasileiros devem defender medidas de combate à degradação da terra e destacar a importância da Caatinga nas estratégias de enfrentamento à crise climática.
