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Projetos podem barrar anúncios de sites adultos em uniformes de clubes de futebol

Rádio Sampaio com SBT News
Publicado 22/07/2026
Novo patrocínio do Corinthians é questionado nas redes sociais | Reprodução

 

A repercussão do patrocínio da plataforma de conteúdo adulto Fatal Fans ao Corinthians ultrapassou as redes sociais e chegou ao Legislativo paulista. Após críticas de torcedores, especialistas e entidades de defesa da infância, parlamentares do PSB apresentaram projetos de lei para restringir a publicidade de plataformas voltadas exclusivamente ao público adulto em espaços públicos e equipamentos esportivos.

🔎 A Fatal Fans é gerida pela Atlas Technologies, mesma empresa responsável pela Fatal Model – outro site que já gerou polêmica com patrocínios ao futebol brasileiro. As plataformas, no entanto, têm propostas distintas. Enquanto a Fatal Model reúne anúncios de acompanhantes em um sistema de classificados, a Fatal Fans é voltada à venda de conteúdo adulto por assinatura, em modelo semelhante ao OnlyFans, em que os usuários pagam para acessar material exclusivo dos criadores.

Na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a deputada estadual Marina Helou (PSB) protocolou dois projetos, no último dia 17, para proibir a veiculação de publicidade, patrocínio e ações de marketing de plataformas de conteúdo adulto, serviços de acompanhantes e empresas de entretenimento explícito em espaços públicos estaduais e bens concedidos pelo Estado – como estações de transporte, parques, escolas, hospitais e eventos realizados em imóveis públicos.

Já na Câmara Municipal de São Paulo, a vereadora Marina Bragante (PSB) apresentará no retorno do recesso legislativo um projeto semelhante, voltado à proibição da publicidade desses serviços em equipamentos esportivos, culturais, de lazer e entretenimento acessíveis ao público.

Ao SBT News, Bragante afirmou que a iniciativa amplia uma preocupação já existente com a publicidade em ambientes frequentados por crianças e adolescentes.

"O projeto de lei apresentado ainda esse mês proibindo a publicidade de conteúdos adultos nos esportes não é recente. É uma preocupação nossa desde o ano passado, quando já apresentamos uma proposta para proibir a publicidade de apostas, entendendo o impacto que o futebol tem na nossa cultura e na nossa sociedade", disse.
Na avaliação da deputada Marina Helou, o caso envolvendo o Corinthians evidenciou a necessidade de discutir limites para esse tipo de publicidade.

"Quando um time com a expressão que o Corinthians tem estampa isso no uniforme, qualquer criança pode pesquisar o que aquilo significa. Por mais que eles defendam que não vai ter pornografia no uniforme, é claramente uma apologia a um conteúdo inadequado para crianças e adolescentes", afirmou ao SBT News.
Helou também argumenta que o projeto busca conciliar a liberdade econômica com a proteção da infância.

"A partir dessa polêmica que surge na sociedade, temos a possibilidade de regulamentar esse tema e avançar em uma legislação que proteja a infância, esteja alinhada ao Estatuto da Criança e do Adolescente e também coloque a defesa das mulheres como prioridade", completou.
Patrocínio ao alvinegro
Os projetos foram apresentados após a oficialização da Fatal Fans como patrocinadora do Corinthians, anunciada pelo clube no início de julho.

O acordo prevê a exposição da marca no calção da equipe profissional masculina de futebol, e nos uniformes das equipes de futsal e basquete. O valor do patrocínio não foi revelado, mas, segundo o clube, esse será o maior contrato da história das modalidades poliesportivas do alvinegro.

A parceria motivou um abaixo-assinado com mais de 47 mil assinaturas e uma representação encaminhada ao Ministério Público de São Paulo, que pede a discussão sobre regras para publicidade de empresas ligadas ao mercado de conteúdo adulto em ambientes esportivos e outros espaços frequentados por crianças e adolescentes.

Petição on-line já conta com mais de 47,1 mil assinaturas | Reprodução
Petição on-line já conta com mais de 47,1 mil assinaturas | Reprodução

Procurado pelo SBT News, o Corinthians não quis se manifestar. Já a Fatal Fans afirmou, em nota, que o patrocínio ao Corinthians é exclusivamente institucional e não envolve divulgação de conteúdo adulto durante partidas ou transmissões.

A empresa informou que a plataforma é destinada apenas a maiores de 18 anos, possui mecanismos para impedir o acesso de menores e que o acordo prevê regras específicas de proteção, como a ausência da marca nas categorias de base e a não utilização de atletas para promover conteúdo adulto.

Segundo a Fatal Fans, "a presença institucional da marca no esporte não representa oferta, divulgação ou acesso a conteúdo adulto pelo público dos jogos".

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