


O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos (EUA) sobre produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22/7), à 1h01 (horário de Brasília).
A medida, chancelada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, estabelece sobretaxa de 25% sobre parte das importações do Brasil e foi oficializada pelo governo estadunidense na última quarta-feira (16/7).
A sobretaxa pode causar prejuízo de até US$ 11 bilhões às exportações brasileiras.
A decisão foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que encerrou investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Segundo o governo Trump, o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais em áreas como comércio digital, acesso ao mercado de etanol, combate ao desmatamento e políticas relacionadas ao Pix.
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Em abril de 2025, o Congresso Nacional aprovou por unanimidade a Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em julho. A norma autoriza o governo brasileiro a adotar contramedidas quando outros países impõem barreiras comerciais consideradas prejudiciais ao Brasil.
Após o anúncio do novo tarifaço, o governo passou a estudar a possibilidade de adotar a lei. No entanto, nesta semana, o Planalto deu indicativos de que não deve aderir a uma retaliação.
Na terça-feira (21/7), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) comentou sobre a lei, mas fez ressalvas.
“Foi aprovada a Lei da Reciprocidade por unanimidade. A ideia não é retaliação. Olho por olho, pode acontecer de os dois ficarem cegos”, disse Alckmin, após encontro com os setores exportadores nesta terça.
O governo federal calcula que o tarifaço atingirá cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos EUA.
Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio França, o volume afetado equivale a aproximadamente US$ 7,4 bilhões, considerando os números de 2024.
Para reduzir os impactos da medida, Alckmin (PSB), afirmou que o governo prepara programa de apoio aos setores que serão mais afetados.
Segundo o documento, a sobretaxa será aplicada às mercadorias importadas ou retiradas de armazéns para consumo a partir desta quarta.
No entanto, haverá regra de transição: produtos embarcados antes dessa data poderão entrar no mercado norte-americano sem a cobrança adicional, desde que cheguem ao país até 29 de julho.
Apesar do endurecimento da medida, o governo Trump deixou fora da sobretaxa mais de 2,1 mil produtos. A intenção é mitigar danos à economia dos EUA e evitar rupturas em cadeias de suprimentos essenciais.
Entre os produtos, estão alguns dos principais itens da pauta de exportação brasileira, como carne bovina, café, laranja e suco de laranja, petróleo e aeronaves civis.
A tarifa de 25% será cobrada além das alíquotas de importação já existentes.
Na prática, um produto que hoje paga 5% de imposto passará a recolher 30% para entrar nos EUA.
