Caio César dos Santos Bartolomeu foi preso após matar o padrasto e esfaquear três pessoas em Jaguariúna — Foto: Guarda Municipal

O homem morto pelo enteado por volta de meia-noite de quinta-feira (25), noite de Natal,  tem uma filha de 16 anos com autismo nível 2 que presenciou o ataque à faca, segundo a Polícia Civil. O enteado, chamado Caio César dos Santos Bartolomeu, foi preso em flagrante após esfaquear outras três pessoas na rua. O caso ocorreu em Jaguariúna  (SP).

De acordo com a polícia, Leandro Flaeschen Moreira, de 41 anos, foi esfaqueado por Caio Bartolomeu porque o enteado não aceitava o relacionamento de Leandro com a mãe. O ataque ocorreu após Leandro desejar feliz Natal para a mulher e eles trocarem um beijo (selinho).

A filha de Leandro, que estava no local, presenciou o ataque ao pai. “Contudo, se trata de uma adolescente autista nível de suporte II, ficando sem reação no momento dos fatos”, indicou o boletim de ocorrência.

A mãe de Caio tentou impedir o assassinato e ficou com ferimentos nas mãos. Após esfaquear Leandro, Caio deixou a casa e atacou as outras pessoas de forma aleatória.

De acordo com a polícia, Caio só interrompeu os ataques depois de ser contido e agredido por moradores da região. Entre os feridos estão dois homens, de 32 e 37 anos, e uma mulher de 28 anos.

A mulher foi ferida no tórax, o homem de 32 anos no braço e o de 37 anos sofreu ferimento na região do pescoço.

As três pessoas foram levadas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), passaram por atendimento médico e foram liberadas na sequência.

Jovem preso não conseguiu responder perguntas

Caio foi preso em flagrante por homicídio e lesão corporal. Segundo a Polícia Civil, ele estava com a fala prejudicada, provavelmente por efeito dos remédios que tomou ao ser atendido na UPA, e não conseguiu prestar depoimento.

Uma faca e um par de luvas pretas foram apreendidos. A perícia esteve na casa e o corpo do padrasto foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML).

O caso foi registrado no plantão da Delegacia de Jaguariúna.

Nível 2 de autismo

A coordenadora do programa de diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) do Hospital das Clínicas, na USP, Joana Portolese, explicou que os pacientes no nível 2 de autismo têm uma ou mais comorbidades (doenças associadas).

O nível 2 também é mais associado a quadros genéticos e neurológicos, e que pode haver prejuízos no comportamento que geram dificuldade de aceitação na sociedade.

“Já pode ter um comprometimento cognitivo e funcional. Então, muitas vezes, só o histórico dessa família, e dessa criança ou adolescente, acaba vindo com uma dificuldade muito grande na inclusão social, na escola”.