
Senador Renan Calheiros- Foto: Claudio Barbosa
Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou, na sexta-feira (12), que pretende entrar como assistente de acusação em processos que investigam a chamada “Abin paralela.” O senador alagoano foi citado como um dos alvos monitorados ilegalmente por servidores lotados na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante a gestão Jair Bolsonaro.
“Vou entrar na Justiça, até em cortes internacionais, como assistente da acusação no escândalo Abin. A grampolândia na cúpula da CPI mostra que a investigação pode ter sido embaraçada na ação marginal de órgãos de Estado. Fatos novos para PGR reabrir partes engavetadas por Aras”, escreveu o alagoano em suas redes sociais, referindo-se ao relatório final da CPI da Covid.
Conforme relatório da Polícia Federal, ainda teriam sido monitorados o presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL) e os deputados federais Kim Kataguiri e Joice Hasselmann, além dos senadores Alessandro Vieira, Omar Aziz e Randolfe Rodrigues. Também foram alvos magistrados e jornalistas.
Eleições no Rio de Janeiro
A situação pode causar danos à pré-candidatura do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) à prefeitura do Rio. Ramagem, que foi lançado na disputa pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, está tendo sua questão avaliada pela cúpula do PL- para saber se faz sentido manter ou não o ex-diretor-geral da Abin na eleição municipal.
Segundo a Polícia Federal, investigadores encontraram um áudio, supostamente gravado por Ramagem, no qual teriam sido discutidas irregularidades cometidas por auditores da Receita Federal no âmbito da investigação sobre rachadinha que mirou o senador Flávio Bolsonaro. A gravação é de 2020, quando Ramagem comandava a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Para Ramagem, a existência do áudio reforçaria a “defesa do devido processo”. Já para investigadores da PF que atuam no caso, seria a comprovação de que a estrutura da Abin teria sido usada com desvio de finalidade, para blindar Flávio.
O audio teria sido gravado sem autorização de Jair Bolsonaro, que teria ficado irritado. Em contato com a coluna do jornalista Paulo Cappelli- do portal Metrópoles, o ex-presidente declarou: “Em relação a esse áudio, tem gente dizendo que eu reagi de uma forma ou de outra… Muita gente tenta falar por mim e não acerta. Não vou entrar nessa questão da gravação.”
Também garantiu seu apoio a Ramagem: “A candidatura do Ramagem está de pé. Estaremos juntos na semana que vem, no Rio. Seguimos juntos”, disse Bolsonaro.
