


O tabuleiro político de Alagoas entrou numa fase em que cada movimento pode provocar consequências muito além da capital.
Durante meses, grande parte dos 102 municípios alagoanos apostou na construção de uma candidatura majoritária ao Governo do Estado. Prefeitos, vereadores, candidatos proporcionais e lideranças locais organizaram alianças, assumiram posições e colocaram seus projetos na estrada confiando nessa composição.
Mas o cenário mudou.
A possibilidade cada vez mais concreta de o nome projetado para disputar o Governo mudar de rota e buscar uma das vagas ao Senado transformou aquilo que já era um nó apertado em verdadeiro nó cego.
E como ficam aqueles que acreditaram?
No interior, apoio político não é apenas fotografia ou discurso. Quem escolheu um lado enfrentou o outro. Quem assumiu compromissos reorganizou sua base e, em alguns casos, fechou portas acreditando que o projeto majoritário chegaria às urnas.
Por isso, uma mudança dessa dimensão poderá provocar frustração e revolta entre muitas lideranças políticas interior afora.
Nas esquinas, praças e rodas de conversa do interior, uma velha expressão começa a ganhar atualidade:
“Será que vai prevalecer o ‘fica o dito pelo Benedito’?”
Porque uma coisa é redesenhar estratégias nos gabinetes. Outra é explicar às bases por que aquilo que durante meses parecia um caminho definido poderá terminar em destino diferente.
A política permite mudanças. Mas também tem memória.
O nó apertou. Agora virou nó cego.
Resta saber quem conseguirá desatá-lo e, quantas pontas ficarão soltas pelo caminho.
No final, serão as urnas e os eleitores dos 102 municípios de Alagoas que darão a resposta.
Por: Helvio Peixoto.
