A holandesa Zoraya ter Beek, de 29 anos — Foto: Reprodução

Os impactos da saúde mental da holandesa Zoraya ter Beek, começaram ainda na primeira infância. A mulher de 29 anos tem depressão crônica, ansiedade, trauma e um transtorno de personalidade não especificado, tendo recebido também o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ela fez diversos tratamentos intensivos, incluindo psicoterapia, medicação e mais de 30 sessões de eletroconvulsoterapia (ECT). Conheceu um parceiro. Ainda assim, nada teria ajudado, continuando "a machucar-se e sentir-se suicida". Então, ela solicitou a eutanásia ao governo, que deverá ser realizada nas próximas semanas.

A história de Ter Beek foi contada pela primeira vez em abril deste ano pela rede The Free Press. Ela disse que decidiu pela morte assistida após seu psiquiatra afirmar que havia tentado de tudo, mas que não havia mais nada que pudesse fazer por ela. "Isso nunca vai melhorar", ela citou a frase do médico à rede.

Ao jornal britânico The Guardian, pouco mais de um mês depois, Ter Beek lembrou que, no início do tratamento, ainda tinha expectativas de que fosse melhorar.

Segundo uma lei que entrou em vigor na Holanda em abril de 2002, uma pessoa pode solicitar a eutanásia quando está "passando por um sofrimento insuportável, sem perspectiva de melhora", pontuando que seu pedido deve ser feito "com seriedade e plena convicção". O texto prevê que o médico e um especialista independente determinem que o paciente está sofrendo insuportavelmente e sem esperança de melhora.

A mulher explicou que o processo é longo e complicado. "Então, você tem que ser avaliado por uma equipe, ter uma segunda opinião sobre sua elegibilidade, e a decisão deles deve ser revisada por outro médico independente" — explicou ao Guardian, afirmando que "nos três anos e meio que isso levou, nunca hesitei na minha decisão," concluiu a holandesa Zoraya ter Beek.

O procedimento solicitado por transtornos mentais é incomum no país, mas tem aumentado. Segundo dados citados pelo Guardian, em 2010, foram registrados dois casos envolvendo sofrimento psiquiátrico. Em 2023, esse número saltou para 138, cerca de 1,5% do total de 9.068 mortes assistidas.

Preocupação dos brasileiros com saúde mental tem crescido ao longo dos anos
Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

No Brasil, mais da metade da população vê a saúde mental como o principal problema do país em termos de bem-estar. O dado consta em uma pesquisa exclusiva realizada pela Ipsos, que mapeou os problemas de bem-estar em diversos países do mundo. O levantamento também aponta que a preocupação com o tema tem crescido ao longo dos últimos anos.

Em 2018, primeiro ano em que a Ipsos realizou o monitoramento, 18% dos entrevistados mencionaram a saúde mental como tema de maior preocupação. Em 2023, na mais recente avaliação, esse percentual subiu para 52%.

O câncer é a segunda maior preocupação de saúde apontada pelos brasileiros, com 38%, seguido por abuso no uso de drogas, com 36%.

Acesso à saúde

A pesquisa também questionou os brasileiros sobre o sistema de saúde do país.

Os dados apontam que 31% dos entrevistados classificam o sistema de saúde como “bom”. O valor fica abaixo da média global, que é de 48%.

Os três países que mais aprovam seus sistemas de saúde são:

Com relação à capacidade de atendimento da rede de saúde, cerca sete em cada dez brasileiros (74%) afirmam que o sistema está sobrecarregado. O número representa um aumento de sete pontos percentuais em relação a 2022 (67%).

Os entrevistados ainda foram perguntados sobre a acessibilidade aos cuidados médicos. O Brasil é líder na dificuldade de acesso a um auxílio de saúde de qualidade: 83% dos brasileiros acreditam que muitas pessoas não conseguem pagar por uma boa assistência médica.

A pesquisa “Global Health Service Monitor 2023”, realizada pelo Instituto Ipsos, entrevistou 23.274 pessoas, sendo 1.000 do Brasil.

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