O promotor Magno Alexandre Moura, que investiga a relação entre o desaparecimento de nove jovens e a atuação de um grupo de extermínio formado por policiais em Maceió, vai solicitar ao procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça, que reforce a equipe responsável pelos levantamentos, passando a contar com o apoio de outros promotores.

“Este trabalho foi iniciado por mim, mas ele pode ser desenvolvido por outras pessoas. Sozinho, fica muito difícil investigar esses casos em toda a sua extensão. Por isso, vamos comunicar esta situação ao procurador-geral [de Justiça, Alfredo Gaspar] para tentarmos montar uma equipe porque, se temos múltiplos crimes, todos envolvendo mais de três pessoas, estamos lidando, em tese, com uma organização criminosa. Portanto, vamos pedir o apoio de outros colegas que possam nos auxiliar na condução dessas investigações”, disse o promotor.

Magno Alexandre está à frente da Promotoria do Controle Externo da Atividade Policial e Investigações Especiais do MPE desde outubro do ano passado. “Estou envolvido num trabalho e preciso dar resultados.

Algumas pessoas já me alertaram a ter cautela, e já vimos, em outras unidades da federação, pessoas do Poder Judiciário e do Ministério Público serem vítimas, mas eu acredito em Deus, que pode me proteger. Mas tenho tomado algumas precauções”, emendou Magno Alexandre.

O promotor confirmou que, até aqui, seis policiais militares já foram identificados como suspeitos de envolvimento no sumiço dos jovens. “A nossa luta é institucional. A lei deve ser observada e os casos, esclarecidos.

Objetivamente, temos seis policiais militares que foram identificados, mas nós poderemos ter muito mais”, revelou magno Alexandre, destacando a dificuldade de se buscar informações junto a determinadas pessoas, em razão do corporativismo.

O Controle Externo da Atividade Policial e Investigações Especiais do Ministério Público Estadual fiscaliza, além das polícias Civil e Militar, o Corpo de Bombeiros e Guarda Municipal. “Tudo que vem de excesso da conduta deles vem para cá. Aqui, fazemos um controle concentrado, mas qualquer promotor de Justiça pode fazer o controle difuso da atividade policial. Nós recepcionamos as reclamações que as pessoas trazem, seja de desaparecimento, seja de excesso cometido por parte da polícia”, explicou o promotor.


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