Governo desiste da proposta de privatização dos Correios, diz Kassab

O ministro das Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, Gilberto Kassab, afirmou que o governo Michel Temer não vai dar seguimento à proposta de privatização dos Correios. Em março do ano passado, diante das dificuldades financeiras da estatal, o ministro afirmou que “a privatização do todo ou de parte dos Correios” seria o caminho caso não fosse possível cortar gastos para sanear a empresa.

Depois, em setembro do ano passado, o então ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, admitiu que o governo estudava a privatização da empresa e que, entre os modelos em análise, estava a realização de um “IPO”, sigla em inglês para uma oferta inicial de ações para obter recursos privados no mercado.

Também em setembro, os funcionários dos Correios iniciaram uma greve que, entre as justificativas, estava justamente a intenção do governo de privatizar a estatal.

Fim de governo e eleições

De acordo com Kassab, “não faz sentido” discutir a privatização dos Correios nesse momento, faltando poucos meses para as eleições presidenciais e para o fim do governo do presidente Michel Temer.

O ministro informou, porém, que os estudos sobre medidas para dar mais eficiência à empresa, entre elas o fechamento de agências, continuam sendo feitos e vão subsidiar uma possível decisão do próximo presidente.

“Deixaremos como legado uma empresa recuperada. E o debate [sobre a privatização dos Correios] vai ficar para o próximo governo”, disse Kassab.

Corte de gastos e resultado

No momento em que veio à tona, no ano passado, que o governo avaliava a privatização dos Correios, a estatal enfrentava situação financeira delicada e vinha de 4 anos seguidos de prejuízo. Apenas entre 2015 e 2016, as perdas da empresa somaram R$ 3,6 bilhões.

Na semana passada, os estatal anunciou que registrou em 2017 lucro de R$ 667 milhões, o primeiro após quatro anos de prejuízo.


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