Endividamento cresce e Brasil bate novo recorde pelo 4º mês seguido

Divulgação/USP

O número de brasileiros com dívidas a pagar registrou um novo recorde em abril. É o que mostra a pesquisa mensal da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que contabilizou 80,9% de endividados no mês – maior patamar desde 2010, início da série histórica.

O novo recorde ocorre em meio à guerra no Oriente Médio, que vem impulsionando o aumento do preço do petróleo. Somado aos juros altos (Selic), a alta dos preços do diesel e combustíveis em geral tem gerado incerteza inflacionária, reduzindo o poder de compra e forçando o uso de crédito para despesas básicas.

Segundo o levantamento, o endividamento cresceu em todas as faixas salariais, mas a pressão sobre o orçamento é mais nítida nas camadas de menor renda. Enquanto famílias que ganham até três salários registram 83,6% de endividamento, aqueles com renda superior a 10 salários mínimos somam 70,8%.

Entre as principais modalidades de dívidas, o cartão de crédito, com os maiores juros da economia brasileira, segue liderando o ranking. Em seguida, aparecem os carnês de loja, o crédito pessoal e os financiamentos de casa e de carro.

Inadimplência

Apesar do volume recorde de endividados, os índices de inadimplência apresentaram sinais de estabilização: o percentual de dívidas em atraso variou para 29,7% em abril, ante 29,6% registrado em março. O número, contudo, está acima dos 28,1% de abril de 2025, evidenciando o efeito negativo do ciclo de alta da Selic na maior parte do ano passado.

Dentro dessa estatística, o grupo que declara não ter condições de pagar as contas atrasadas se manteve em 12,3%. Entre aqueles que possuem contas em atraso, quase metade (49,5%) reportou débitos vencidos há mais de 90 dias. O tempo médio de atraso estabilizou-se em 65,1 dias pelo terceiro mês seguido, refletindo melhora da renda média que ajuda na regularização financeira.

Previsão para os próximos meses

As projeções da pesquisa apontam para a continuação da elevação do endividamento no próximo mês, condicionada à evolução da renda e ao comportamento da inflação em itens essenciais como energia e combustíveis. Outro ponto que deve impulsionar o cenário é a Selic, que pode aumentar conforme o conflito no Oriente Médio.

“O aumento das incertezas no cenário econômico global levou a uma recente revisão quanto ao ritmo de flexibilização da política monetária no Brasil. A percepção dominante atualmente é que, até o fim do ano, os juros caiam menos que o esperado anteriormente. Se confirmado esse cenário, os níveis de endividamento tendem a se manter em patamares elevados por mais tempo”, pontua o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

Governo paga mais de R$ 231 milhões de rateio do Fundef a professores da rede estadual nesta sexta

Alexandre Teixeira / Ascom Seduc

 

O governador Paulo Dantas confirmou o pagamento da terceira parcela do abono do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação e de Valorização do Magistério (Fundef). São mais de R$ 231 milhões que serão pagos a 23.063 professores que atuaram na rede estadual entre 1998 e 2006. O pagamento será efetuado nesta sexta-feira (08).

O anúncio foi feito nas redes sociais do governador. “Nesta sexta-feira, tem pagamento dos precatórios do Fundef na conta de vocês [professores]. Serão mais de R$ 231 milhões pagos a mais de 23 mil professores da rede estadual. Isso é reconhecimento de verdade. É dinheiro no bolso de quem faz a Educação acontecer todos os dias e movimenta a economia de todo o nosso estado, gerando milhares de empregos”, disse Paulo Dantas.

Com mais esta parcela, o Governo já repassou aos profissionais do magistério cerca de R$ 715 milhões reais em rateio do Fundef, sendo R$ 181,8 milhões em 2024 e R$ 263 milhões em 2025. Em abril deste ano, foram pagos R$ 39 milhões referentes ao valor residual. E agora, mais R$ 231 milhões.

 

A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) será a responsável pelo repasse. A secretária Roseane Vasconcelos informou que, a partir desta quinta-feira (07),  a consulta individual para o servidor verificar informações sobre valores a serem percebidos estará disponível no endereço eletrônico https://fundef.educacao.al.gov.br/. A consulta será pessoal, e outras orientações para cadastro do usuário também poderão ser encontradas no mesmo endereço.

“Para nós é uma alegria muito grande fazer parte de mais este compromisso honrado pelo Governo Paulo Dantas. Este abono era esperado por muitos anos por estes servidores, e agora estamos na terceira parcela. É um investimento muito grande do Governo Federal e do Governo do Estado, que foi atrás e, junto com a PGE, recorreu a este direito”, comemora Roseane.

Para mais informações, a Superintendência de Valorização de Pessoas (SUVPE) da Seduc, localizada no Cepa (Av. Fernandes Lima, Farol) está aberta para atendimento aos servidores da pasta e ao público em geral, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Há atendimento também pelo WhatsApp, apenas por mensagem, pelo número (82) 9 8833 3884.

Loteamento Dona Linda entra na fase final de obras e tem maioria dos lotes vendidos em Palmeira dos Índios

Foto: Paulo Edson

O loteamento Dona Linda, localizado no bairro Vila Maria, em Palmeira dos Índios, está com as obras em fase final e deve ser concluído nos próximos dois meses. A informação foi destacada durante visita do repórter Rafael Santos, da Rádio Sampaio 94.5 FM. O empreendimento já conta com cerca de 70% dos lotes comercializados, restando apenas 30% disponíveis para venda.

De acordo com o engenheiro Alexandre, o projeto segue em ritmo acelerado e a previsão é de inauguração no mês de junho. Ele alertou que a alta procura tem reduzido rapidamente a disponibilidade de unidades, reforçando o interesse tanto de investidores quanto de pessoas em busca da casa própria.

Ainda segundo o responsável técnico, o loteamento oferece condições facilitadas de aquisição e conta com equipe de vendas disponível para atendimento no local e por meio de canais parceiros.

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Desenrola começa nesta terça. Veja quem tem direito e como acessar

Reprodução

 

O programa Novo Desenrola Brasil, que visa a reduzir o endividamento recorde da população, começa a valer nesta terça-feira (5/5). A iniciativa vai conceder descontos em dívidas e provocar o refinanciamento com juros mais baixos, limitados a 1,99% ao mês.

O programa atua em linhas diferentes:

Desenrola Famílias: renegociação de dívidas atrasadas, uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviços (FGTS), consignado Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e consignado público;
Desenrola Fies;
Desenrola Empresas: Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e Programa Acredita (ProCred); e
Desenrola Rural.
No caso do desenrola famílias, são elegíveis as dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, nas modalidades de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC). Podem participar as pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105).
A adesão ao programa deve ser realizada diretamente pelo interessado junto ao banco. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os grandes bancos estão todos participando do programa, além de vários outros de menor porte.

O acionamento da instituição financeira deve ser realizado, preferencialmente, por meio de aplicativo bancário para evitar possibilidade de fraudes.

“Estamos falando da grande maioria da população. (…) Ao fazer esse recorte, eu otimizo o recurso que está sendo mobilizado, garanto uma taxa de juros menor, busco a eficiência do programa e atendo a mais de 90% da população brasileira, me parece razoável esse recorte”, justificou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
O desconto aplicável depende do tipo de dívida e também do período de atraso. No caso de crédito pessoal, o desconto parte de 30% e vai a até 80%. Em se tratando de rotativo no cartão de crédito, o alívio no débito parte de 40% e vai a até 90%. Em ambos os casos, o desconto aumenta de acordo com o tempo de dívida vencida.

Quem aderir ao novo Desenrola vai ficar impedido de realizar apostas on-line pelo prazo de 12 meses. Outro detalhe do programa é que nomes com dívidas de até R$ 100 terão a negativa retirada.

A projeção do Planalto é de que sejam beneficiadas até 20 milhões de pessoas no grupo das famílias, 15 milhões entre os contratos consignados, 700 mil servidores, 1,5 milhão de estudantes que devem ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), além de 800 mil agricultores no Desenrola Rural.

Regras

Pelas regras do programa, a dívida renegociada terá descontos que variam de 30% a 90%;
Taxa de juro máxima de 1,99% ao mês;
Até 48 meses de prazo;
Prazo de até 35 dias para pagamento da primeira parcela;
Limite da nova dívida (após descontos) até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira;
Garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO).

FGTS

Essa alternativa de usar o FGTS no programa estará disponível para os trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos mensais, ou seja, R$ 8.105. Ao aderir ao novo Desenrola, o trabalhador poderá usar 20% do saldo da conta ou até R$ 1 mil, o que for maior, para pagar, parcial ou integralmente, as dívidas.

No entendimento do governo federal, o requisito de só poder acessar o FGTS após renegociar a dívida no programa protege o trabalhador, porque obriga a instituição financeira a conceder os descontos mínimos na dívida original. Os valores resgatados poderão alcançar o limite global de R$ 8,2 bilhões.

Fies

Os estudantes que tenham débitos no Fies não pagos há mais de 90 dias poderão ter desconto total em juros e multas e ainda 12% sobre o valor principal. No caso de parcelamento, o que pode ser feito em até 150 vezes, há o desconto da totalidade dos juros e multas.

Dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias de estudantes fora do CadÚnico: desconto de até 77% do valor total da dívida, incluindo principal, juros e multa, com liquidação integral do saldo devedor.
Dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias de estudantes do CadÚnico: desconto de até 99% do valor total da dívida, incluindo principal, juros e multa, com liquidação integral do saldo devedor.

Desenrola empresas

No caso de empresas, as mudanças variam de acordo com o faturamento. Aquelas com movimentação de até R$ 360 mil por ano, a carência máxima vai passar de 12 para 24 meses e o prazo máximo da operação subirá de 72 para 96 meses. O valor total do crédito vai passar de 30% para 50% do faturamento, com novo teto em R$ 180 mil.

Em relação às empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões por ano, a carência máxima vai passar de 12 para 24 meses, e o prazo máximo da operação subirá de 72 para 96 meses. O valor total do crédito vai passar de 30% para 50% do faturamento, com novo teto em R$180 mil. O valor do crédito sobe de R$250 mil para R$500 mil.

Rural

No caso do Desenrola Rural, ficará permitido que mais agricultores familiares renegociem e liquidem dívidas antigas, sobretudo os de baixa renda. A adesão ficará aberta até 20 de dezembro de 2026, período no qual o governo federal espera alcançar mais 800 mil agricultores familiares.

Mecanismo

O Novo Desenrola Brasil prevê que o FGO garanta o crédito novo para que famílias renegociem dívidas atrasadas.

O pacote para enfrentar o endividamento das famílias inclui aporte de até R$ 5 bilhões no Fundo Garantidor de Operações (FGO), dos quais R$ 2 bilhões já estão disponíveis.

"Novo Desenrola": pessoas que ganham até R$ 8.105 podem renegociar dívidas

Foto: Jeane de Oliveira/Pronatec

O programa de renegociações de dívidas do governo federal, o Novo Desenrola Brasil, lançado nesta segunda-feira (4), tem como público-alvo pessoas que ganham até cinco salários mínimos, ou seja, R$ 8.105.

Nele, serão renegociadas dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).

Segundo o governo, para entrarem no programa, as pessoas devem procurar os canais oficiais dos bancos.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o programa foi dividido em quatro categorias voltadas para:

"Desenrola família é a principal linha, com simplificação. Quem tem renda até cinco salários mínimos vai ter acesso franqueado, seja do cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal, procure seu banco", afirmou o ministro.

O programa também prevê a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que trabalhadores possam quitar suas dívidas.

Pelas regras, será possível usar até 20% do saldo disponível do FGTS, ou até R$ 1 mil (o que for maior), para pagar débitos.

A estimativa é de que sejam liberados até R$ 8,2 bilhões aos trabalhadores.

Para garantir que os recursos serão mesmo usados para quitar dívidas, a Caixa deverá transferir o dinheiro do FGTS direto para o banco em que o trabalhador tem débitos.

Será possível negociar dívidas do cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), adiantou, na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pacote de medidas voltado à redução do nível de endividamento da população foi anunciado pelo ele na última quinta-feira (30).

Os juros serão de, no máximo, 1,99% ao mês, com descontos de 30% a 90% no valor principal da dívida. Os descontos variarão de acordo com a linha de crédito e com o prazo. Será disponibilizada uma calculadora para os trabalhadores saberem o desconto.

O governo pretende usar um fundo com recursos públicos para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, o dinheiro da União vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito.

Para formar esse fundo, o governo buscará de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos. O governo também fará um novo aporte de até R$ 5 bilhões.

Quem aderir ao programa ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas online.

"Agora, o que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet", declarou o presidente.

Programa também prevê que os bancos perdoem dívidas de até R$ 100.

No fim de 2024, segundo o Banco Central (BC), 117 milhões de pessoas tinham alguma dívida com instituições financeiras.

Governo publica regras de novo imposto sobre consumo a partir de 2027. Entenda o que muda

Normativas detalham como vai funcionar o período de testes - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

O governo federal, estados e municípios publicaram a regulamentação da etapa da reforma tributária dos impostos que incidem sobre o consumo. As normativas detalham como vai funcionar o período de testes e os futuros tributos a partir de 2027. Entenda:

Impostos sobre consumo

A reforma sancionada em 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabelece a extinção gradual, nos próximos anos, do PIS, Cofins e IPI (para maioria dos tributos) federais. Os tributos estaduais e municipais sobre o consumo, ICMS e ISS, respectivamente, também deixarão de existir.

Em troca, serão criados dois impostos que contarão apenas como um tributo sobre consumo: Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), e Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Ambos vão seguir o mesmo modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e não serão cumulativos. Na prática, isso significa que o contribuinte não pagará os dois ao mesmo tempo: o imposto será cobrado apenas uma vez ao longo da cadeia de produção.

O novo regulamento também estabelece que imposto será cobrado no “destino”, no local onde os produtos são consumidos, e não onde são produzidos, como era antes da reforma.

Alíquota ainda não definida

O projeto aprovado definiu que caberá ao governo federal e Tribunal de Contas da União (TCU) definirem as estimativas da alíquota de referência dos impostos. Os números devem ser divulgados pelos órgão até o fim de julho.

proposta será enviada ao Senado, que deve aprovar um projeto de resolução definindo qual será a porcentagem do imposto sobre consumo.

Fase de testes
A regulamentação estabeleceu o início da fase de testes, que seguirá até o final do ano, para que a Receita Federal finalize a nova plataforma de contribuição. Em 2026, será cobrada alíquota de 1%, que será "destacada" abatida em outros tributos.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, às empresas caberão apenas a emissão da nota fiscal no novo sistema da Receita, que disponibilizará uma apuração assistida.

Declaração em agosto

A partir de 1º de agosto começa a exigência dessa declaração às empresas como uma das obrigações da fase de testes. Se a declaração não for feita, a Receita enviará uma notificação ao contribuinte para que a situação seja regularizada em até 60 dias.

O regulamento prevê a aplicação de multas, mas o gerente de programa da Receita Federal, Roni Peterson, afirmou que a intenção é evitar penalidades neste ano de testes e só aplicar multas a partir de 2027.

— Se ele não se regularizar, a multa é em última instância — disse em entrevista coletiva nesta quinta-feira.

Cashback

Uma novidade é o chamado mecanismo de "cashback", em que os impostos cobrados no consumo possam ser devolvidos às famílias por meio do novo sistema da Receita Federal.

Esse mecanismo entra em vigor com a implementação da reforma, a partir de janeiro de 2027 prevê a devolução de uma parte dos impostos para famílias inscritas no Cadastro Único (CadUnico).

O cashback prevê um desconto que será feito diretamente na fatura de serviços essenciais como água, energia e gás encanado.

Além disso, também haverá um modelo em que a família poderá se identificar com o CPF em compras em estabelecimentos como supermercados, para receberem a devolução de parte do imposto pago depois.

Split Payment

Também a partir de 2027 vai começar a operar o sistema "split payment”. A ideia é que o contribuinte pague os impostos sobre consumo no momento do pagamento, por meio de pagamento como Pix, cartão, boleto, e TED.

 

Imposto de Renda 2026: mais de 25 milhões de contribuintes ainda não entregaram declaração

Declaração do Imposto de Renda na Receita Federal | Divulgação

 

Cerca de 25,5 milhões de contribuintes ainda não entregaram a declaração do Imposto de Renda 2026, segundo dados divulgados pela Receita Federal na manhã deste domingo (3). O prazo para lançamento das declarações do ano-base 2025 termina no dia 29 de maio.

A meta prevista pela Receita Federal é de que 44 milhões de declarações sejam entregues até o fim do prazo. Até as 11h48 deste domingo, 18.479.413 contribuintes haviam concluído o processo, segundo o Meu Imposto de Renda.

Consequências de não declaração do IR
A não declaração do Imposto de Renda pode trazer consequências graves para o contribuinte, como a aplicação de multas e juros, além de poder ficar com o CPF irregular.

Também é possível que o contribuinte caia na malha fina, em caso de erro nas informações, podendo ser investigado pela Receita Federal. Neste caso, o contribuinte deve fazer uma retificação da declaração por meio do site da Receita, desde que ainda não tenha recebido o termo de intimação.

Restituição
Diferente dos anos anteriores, as restituições do IR – valor devolvido pela Receita Federal ao contribuinte que pagou mais tributos do que precisava ao longo do ano-base (2025) – serão pagas em quatro lotes, em vez de cinco:

1º lote: 29 de maio
2º lote: 30 de junho
3º lote: 31 de julho
4º lote: 28 de agosto

Quem deve declarar
Quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00 no ano;
Quem recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte superiores a R$ 200 mil;
Quem teve ganho de capital na venda de bens ou direitos sujeito à incidência de imposto;
Quem realizou operações em bolsa de valores, mercadorias, futuros ou semelhantes, com soma superior a R$ 40 mil, ou com ganhos líquidos tributáveis;
Quem obteve receita bruta da atividade rural superior a R$ 177.920 ou pretende compensar prejuízos;
Quem possuía, em 31 de dezembro de 2025, bens ou direitos acima de R$ 800 mil;
Quem passou à condição de residente no Brasil em 2025 e manteve essa condição até o fim do ano;
Quem optou pela isenção de IR sobre ganho de capital na venda de imóvel residencial, ao usar o valor para comprar outro imóvel no país;
Quem possuía entidades controladas no exterior, investimentos financeiros no exterior ou trusts regidos por lei estrangeira;
Quem recebeu lucros ou dividendos de entidades no exterior.

Dívida pública vai a 80,1% do PIB, maior patamar desde a pandemia

Foto: reprodução

A dívida pública bruta do Brasil subiu para R$ 10,4 trilhões em março, equivalente a 80,1% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira. O indicador cresceu 0,9 ponto percentual em relação ao mês anterior e atingiu o maior patamar desde julho de 2021, durante a pandemia. A alta reflete o aumento dos juros, novas emissões de dívida e a variação do PIB nominal, em meio a um cenário de desafios fiscais.

O cálculo da dívida bruta inclui os passivos do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e dos governos estaduais e municipais. Considerado um dos principais termômetros da saúde fiscal do país, o avanço do endividamento amplia a pressão sobre as contas públicas e reduz o espaço para gastos não obrigatórios, como investimentos, que hoje representam menos de 10% do orçamento federal.

Segundo o Banco Central, a elevação mensal foi impulsionada principalmente pelos juros nominais, responsáveis por um acréscimo de 0,9 ponto percentual, além das emissões líquidas da dívida (0,4 ponto). Já a variação do PIB nominal contribuiu para reduzir o indicador em 1,2 ponto percentual.

No critério nominal, que inclui o pagamento de juros, o setor público registrou déficit de R$ 199,5 bilhões em março. Em 12 meses, o rombo acumulado chegou a R$ 1,217 trilhão, o equivalente a 9,41% do PIB.

A dívida líquida do setor público, que desconta os ativos do governo, também apresentou alta, alcançando 66,8% do PIB, ou R$ 8,6 trilhões — crescimento de 1,3 ponto percentual no mês.

Já o resultado primário do setor público consolidado, que exclui os juros da dívida, foi negativo em R$ 80,7 bilhões em março, revertendo o superávit de R$ 3,6 bilhões registrado no mesmo período do ano passado. O resultado foi composto por déficits do governo central (R$ 74,8 bilhões), dos governos regionais (R$ 5,4 bilhões) e das estatais (R$ 0,5 bilhão).

Especialistas apontam que o cenário de juros elevados e resultado primário insuficiente deve manter a trajetória de crescimento da dívida nos próximos meses, aumentando a atenção sobre o equilíbrio das contas públicas.

Contas do governo têm déficit de R$ 73,8 bilhões em março, pior resultado para o mês da história

Câmara e Senado: fachada do prédio do Congresso Nacional na Esplanada dos Ministérios no dia 4 de julho de 2017 — Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

 

As contas do governo registraram um déficit primário de R$ 73,8 bilhões em março, informou Tesouro Nacional nesta quarta-feira (29).

🔎 O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo. Se as receitas ficam acima as despesas, o resultado é um superávit primário. Esses valores não englobam os juros da dívida pública.

➡️Houve uma piora na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando foi contabilizado um resultado positivo de R$ 1,59 bilhão (valor corrigido pela inflação).

➡️Esse também foi o pior resultado para meses de março desde o início da série histórica do Tesouro Nacional, em 1997, ou seja, em 30 anos.

➡️De acordo com o governo, a piora no resultado negativo está relacionada, principalmente, pela antecipação no pagamento de precatórios (sentenças judiciais) neste ano.

"Em 2026, esses pagamentos [de precatórios] concentraram-se em março, enquanto no ano anterior ocorreram majoritariamente em julho", informou o Tesouro Nacional.
Pagamento de precatórios eleva despesas
📈Segundo o Tesouro Nacional, as despesas totais do governo somaram R$ 269,88 bilhões em março deste ano, com uma alta real de 49,2% no período.

A maior parte desse forte aumento de despesas, por sua vez, está relacionada, justamente, pelo cronograma de pagamentos de precatórios (sentenças judiciais).

Este fator, de acordo com o Tesouro Nacional, impactou fortemente as rubricas de:

Sentenças Judiciais e Precatórios (+R$ 34,9 bilhões),
Benefícios Previdenciários (+R$ 28,6 bilhões), e de
Pessoal e Encargos Sociais (+R$ 11,3 bilhões).
A elevação nos gastos com benefícios previdenciários e pessoal também foram influenciadas, em menor proporção, pelo aumento na base de segurados, pela política de valorização do salário mínimo e pelos reajustes salariais concedidos ao funcionalismo público.

Receitas também sobem
📈 Em março, também houve um aumento real de 7,5% na receita líquida, após as transferências constitucionais a estados e municípios, totalizando R$ 196,1 bilhões.

O bom comportamento da arrecadação, por sua vez, está relacionado com o crescimento da economia brasileira e, também, com os aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Entre as Receitas Administradas, os maiores impactos positivos vieram:

do IOF (+R$ 2,8 bilhões), fomentado pelo aumento na arrecadação associada às operações de crédito, seguro e câmbio, refletindo o aumento efetuado no ano passado;
do Imposto de Importação (+R$ 2,3 bilhões), que conjugou crescimento no volume importado e elevação na alíquota média efetiva;
do Imposto sobre a Renda (+R$ 2,3 bilhões) e da CSLL (+R$ 1,4 bilhão), impulsionados por aumentos no lucro presumido, na declaração de ajuste e no IRRF-Capital (aplicações de renda fixa); e
da Cofins (+R$ 1,5 bilhão), com destaque para o setor de serviços.
Parcial do ano
No acumulado dos três primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas do governo registraram um déficit primário de R$ 17,09 bilhões.

Com isso, houve uma forte piora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o resultado positivo somou R$ 58,75 bilhões (valor corrigido).

A piora nas contas do governo no primeiro trimestre deste ano também está relacionada com a antecipação no cronograma de pagamento dos precatórios (sentenças judiciais).

📈 No primeiro trimestre deste ano, houve um aumento real de 4,2% na receita líquida, após as transferências constitucionais a estados e municípios, totalizando R$ 626,41 bilhões.

📈 Ao mesmo tempo, as despesas totais do governo somaram R$ 643,52 bilhões entre janeiro e março deste ano, com uma alta real de 23,3% no período

Meta fiscal em 2026

Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.

De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais).

Com a banda em torno da meta fiscal e abatimentos legais, a previsão oficial do governo é de que suas contas tenham um déficit de quase R$ 60 bilhões neste ano.
Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Preço de energia vai subir 24% este ano, maior alta desde a invasão da Ucrânia, prevê Banco Mundial

Navios na costa de Dubai em meio à crise no Estreito de Ormuz — Foto: AFP

Os preços de energia devem disparar 24% neste ano, atingindo o nível mais alto desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, à medida que a guerra no Oriente Médio provoca um forte choque nos mercados globais de commodities, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Mundial.

Os dados apontam que, no geral, os preços das commodities devem subir 16% em 2026, impulsionados pela alta acentuada dos preços de energia e fertilizantes, além de níveis recordes em diversos metais essenciais. Ainda de acordo com o relatório, a forte alta dos preços da energia terá implicações sérias para a geração de empregos, além de alimentar a inflação e desacelerar o crescimento das economias globais.

O relatório ressalta que os ataques à infraestrutura energética e interrupções no transporte marítimo no Estreito de Ormuz desencadearam o maior choque de oferta de petróleo já registrado, com uma redução inicial de aproximadamente 10 milhões de barris por dia na oferta global. E, mesmo após recuarem em relação ao pico recente, os preços do petróleo Brent permaneciam mais de 50% mais altos em meados de abril do que no início do ano.

O Banco Mundial projeta que o Brent, referência internacional, deve ter preço médio de US$ 86 por barril em 2026, um aumento acentuado em relação aos US$ 69 por barril em 2025. As projeções do órgão internacional partem do pressuposto de que as interrupções mais graves da via marítima terminem agora em maio e que o tráfego pelo Estreito de Ormuz retorne gradualmente aos níveis anteriores à guerra até o fim de 2026.

“A guerra está atingindo a economia global em ondas cumulativas: primeiro por meio de preços mais altos de energia, depois de alimentos e, por fim, de uma inflação mais elevada, que elevará as taxas de juros e tornará a dívida ainda mais cara”, disse Indermit Gill, economista-chefe e vice-presidente sênior de Economia do Desenvolvimento do Grupo Banco Mundial.

O economista acrescenta que as pessoas mais pobres, que destinam a maior parcela de sua renda a alimentos e combustíveis, serão as mais afetadas, assim como as economias em desenvolvimento já pressionadas por altos níveis de endividamento.

"Tudo isso é um lembrete de uma verdade dura: a guerra é o desenvolvimento ao contrário”, ressaltou Gill.

Fertilizantes e metais
Não só as commodities estão sendo pressionadas. No caso dos fertilizantes, os preços devem aumentar 31% este ano, impulsionados por um salto de 60% nos preços da ureia. Com isso, aponta o relatório, a acessibilidade dos fertilizantes cairá para o pior nível desde 2022, reduzindo a renda dos agricultores e ameaçando a produtividade futura das lavouras.

Dados do Programa Mundial de Alimentos, citado pelo Banco Mundial, caso o conflito se prolongue, essas pressões sobre a oferta e a acessibilidade dos alimentos podem levar até 45 milhões de pessoas adicionais à insegurança alimentar aguda neste ano.

No caso dos metais básicos, incluindo alumínio, cobre e estanho, os preços também devem atingir níveis recordes, refletindo a forte demanda por parte de setores como centros de dados, veículos elétricos e energia renovável. Os metais preciosos continuam batendo recordes de preço e volatilidade, com expectativa de aumento médio de 42% em 2026, à medida que a incerteza geopolítica impulsiona a demanda por ativos considerados seguros.

Inflação e crescimento
O aumento dos preços das commodities elevará a inflação e reduzirá o crescimento em todo o mundo, reforça o documento. Nas economias em desenvolvimento, a inflação deve atingir em média 5,1% em 2026 no cenário base — um ponto percentual acima do esperado antes da guerra e superior aos 4,7% registrados no ano passado. O crescimento nessas economias também será prejudicado, já que os preços mais altos de itens essenciais pressionam a renda e as exportações do Oriente Médio enfrentam fortes restrições.

Nos países em desenvolvimento, as economias devem crescer 3,6% este ano, uma revisão para baixo de 0,4 ponto percentual desde janeiro. As mais prejudicadas, no entanto, serão as economias diretamente afetadas pelo conflito, enquanto que 70% dos importadores de commodities e mais de 60% dos exportadores de commodities no mundo podem apresentar crescimento mais fraco do que o projetado em janeiro.

Caso o conflito se intensifique ou as interrupções de ofertas de petróleo e gás se estendam mais do que o esperado, os preços das commodities podem subir ainda mais, aponta do Banco Mundial. Em um cenário no qual instalações críticas de petróleo e gás sofram mais danos e os volumes de exportação demorem a se recuperar, o petróleo Brent pode alcançar uma média de até US$ 115 por barril em 2026.

E mais: este cenário teria efeitos em cadeia sobre os preços de fertilizantes e fontes alternativas de energia, como os biocombustíveis. E a inflação nas economias em desenvolvimento poderia chegar a 5,8% neste ano, nível superado apenas em 2022 ao longo da última década.

Ayhan Kose, economista-chefe adjunto do Banco Mundial e diretor do Grupo de Perspectivas, afirma que a sucessão de choques ao longo da década reduziu drasticamente o espaço fiscal disponível para responder à atual crise histórica de oferta de energia:

“Os governos devem resistir à tentação de adotar medidas fiscais amplas e não direcionadas, que podem distorcer os mercados e enfraquecer as reservas fiscais. Em vez disso, devem focar em apoio rápido e temporário direcionado às famílias mais vulneráveis.”