Sete municípios alagoanos sofreram o corte da Operação Pipa e a suspensão já provoca a escassez de água potável nas cisternas de alguns dos locais afetados.

Sobre o transtorno, as prefeituras alegam não ter condições para abastecer as comunidades.

Segundo a Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), a justificativa do Governo Federal para o fim do abastecimento foi a “seca fraca”, devido às chuvas que ocorreram no estado recentemente.

O corte, feito na terça-feira (10), e as chuvas que cessaram na região, deixou a cisterna da agricultora Edilma Vicente completamente seca. A água que era trazida pelos caminhões abastecia 90 famílias do município de Lagoa da Canoa, no Agreste alagoano.

“Estamos sofrendo. A gente bebia dessa água. Tá difícil”, desabafou.

No povoado Riacho Fundo, naquele mesmo local, a situação não é diferente. “Nós vivemos e dependemos dessa assistência no abastecimento da água”, colocou o agricultor e líder comunitário José Martiniano.

Apesar de a chuva ter enchido os reservatórios, os gestores do município dizem que a água dos barreiros e açudes é imprópria para o consumo humano, já que não é tratada.

Outra preocupação dos municípios afetados é que a suspensão ocasione aumentos nos custos com a distribuição de água potável por parte das prefeituras.

O secretário de Agricultura de Lagoa da Canoa, Valdomiro Batista, disse que o município não tem condições de abastecer 15 comunidades rurais que recebiam água através da Operação Pipa.

“Se a gente tiver que ampliar o número de caminhões, nós vamos ter sérios problemas com os recursos a pagar essa ampliação. A prefeitura não dispõe de recursos suficientes para bancar uma operação desse tamanho sozinha”, justificou.

Além de Lagoa da Canoa, o Governo Federal também suspendeu a operação em outros seis municípios alagoanos: Craíbas, Coité do Noia, Igaci, Girau do Ponciano, Quebrangulo e Traipu.

Em um assentamento na zona rural de Traipu, a agricultora Tânia Maria Leite também está preocupada. A cisterna da casa dela está quase vazia e, como parou de chover na região, ela não sabe como vai fazer para conseguir água. “Não temos inverno, como vai ser?”, disse.

Sobre a escassez, o secretário de Agricultura de Traipu explicou que o município não tem dinheiro, nem estrutura para abastecer todas as comunidades.

“Teve um aumento de 70% nas despesas, só de combustível e carro. Não era necessária essa quantidade de veículos antes. A gente pega um carro e divide para três, quatro famílias, para ver se supre essas necessidades. Estamos tomando previdências, tentando ver se a operação volta e a gente aumenta a quantidade de carros”, falou.

Decreto de emergência

Por meio de nota, a AMA informou que tem dado apoio aos gestores, orientando na elaboração de relatórios para solicitar a retomada da Operação Pipa nas cidades onde o serviço foi suspenso.

Na segunda (16), vai ser feito um mutirão com todos os coordenadores da Defesa Civil dos municípios, para a elaboração de um novo decreto de emergência por causa da seca.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *