Tribunal do Júri julga acusado de assassinar ex-esposa em Santana do Ipanema

| radio sampaio


O réu Cláudio Santos Júnior, acusado de assassinar a ex-esposa Maria Eliane da Conceição e o tio dela, está sendo julgado, nesta quinta-feira (1º) pelo Tribunal do Júri da Comarca de Santana do Ipanema. Maria Eliane foi assassinada com um tiro no dia 22 de janeiro deste ano, devido a ciúmes do ex-marido. Ao tentar defender a sobrinha, Manuel Juarez Inácio dos Santos também levou um tiro, e faleceu 15 dias depois.

De acordo com o Ministério Público Estadual (MP/AL), a relação do réu com a vítima era conturbada e após cerca de 10 anos juntos, Maria Eliane decidiu se separar de Cláudio, com o qual tinha dois filhos. Inconformado com o fim do casamento, o réu passou a ameaçá-la de morte. Ainda de acordo com a acusação, apesar do ciúme de Cláudio, ele a traía sempre com outras mulheres.

Interrogatório do réu

Ao ser interrogado, o réu disse que estava andando armado devido a um desentendimento que teve com um traficante da cidade, conhecido por Nego Cão, que, segundo ele, queria montar um ponto de drogas em sua casa e ele não aceitou. Cláudio Júnior afirmou também que um dia antes do crime a vítima teria concordado em reatar o relacionamento.

“No dia, fui na casa dela para ajeitar o computador do meu filho mais velho e depois fui para casa do meu irmão. Quando deu 21h liguei para ela umas duas ou três vezes e ela não me atendeu. Aí liguei para o meu filho (de 9 anos) e a mãe de Maria Eliane disse que se ele me falasse qualquer coisa, ele iria se arrepender. Aí eu desci para lá e quando cheguei meu filho disse que ela tinha saído logo cedo e até aquela hora não tinha voltado”, contou o réu.

Segundo o réu, Maria Eliane chegou na casa da mãe por volta das 23h com um pacote de fraudas, e depois de dizer que estava em casa o tempo todo, teria confessado que estava em um motel com um conhecido do trabalho dele.

“Quando ela me disse isso, eu puxei ela pelo braço. Dei uns tiros para cima e jurei a mãe dela que não ia matar ela, mas que ela ia me contar com quem estava ficando. Eu disse que ia conversar com ela para saber quem era o cara, porque ela disse que era conhecido meu e que podia até dar uma pisa nela. Aí o tio correu para dentro de casa e voltou com a mão nas costas e eu atirei nele. Foi quando ela conseguiu se soltar de mim, eu puxei ela pelos cabelos e a arma disparou”, disse.

Acusação

Para o representante do MP/AL, a versão do réu visa enganar os jurados quanto aos fatos no dia do crime. De acordo com o promotor, Cláudio temia um traficante porque tinha se relacionado com uma mulher do traficante.

“Esse é o tipo de homem que trata as mulheres como objeto, esse homem foi viver com ela quando ela ainda tinha 15 anos, tirou essa menina da casa da mãe dela para viver um verdadeiro inferno de agressões e traições. Essa vida a fez amadurecer e querer se libertar, aí vieram as separações e quando ela decidiu realmente sair, ele não aceitou”, afirmou o promotor de Justiça, Luiz Tenório.

“Dois meses depois, após perseguições, maus tratos e ameaças, ele com o ciúme doentio e vendo a traição em todos os cantos, julgando ela como se fosse ele, se dirige a casa da mãe da vítima e obriga a abrir a porta, senão atiraria na cabeça dela. O tio que se encontrava no interior da casa, que era doente e vivia sob a guarda de sua irmã, quando viu aquilo saiu pedindo para que ele não fizesse uma besteira daquela e foi atingindo por um tiro. Em ato contínuo, Cláudio encostou o revólver na cabeça de Maria Eliane e atirou”, narrou o representante do MP/AL.

“[O réu] imputa a vítima uma conduta adúltera. Ele falou em traição dela, mas no depoimento anterior ele disse que o relacionamento tinha acabado porque Maria Eliane saiu de casa porque descobriu que ele estava tendo um relacionamento extraconjugal”, continuou o promotor.

O representante do MP/AL também reproduziu o depoimento da mãe da vítima, Leni Rosa da Conceição, gravado dias depois do crime, no qual ela contou detalhes e garantiu que seu irmão estava com as mãos para frente pedindo que Cláudio Júnior não matasse a sobrinha.

“Depois de atirar no meu irmão, ele puxou mais minha filha pelo braço, encostou a arma na cabeça dela e atirou. Foram três tiros, um para cima, um contra Juarez e outro em Maria Eliane”, contou.

O julgamento prosseguirá durante o período da tarde, com a sustentação da defesa.

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