Natural do município de Paulo Jacinto, no interior de Alagoas, Edmilson Oliveira é o rosto por trás de algumas artes já vistas no estado. Pintor e escultor autodidata, o artista de 49 anos deu cor ao viaduto do trevo de Marechal Deodoro, além colecionar pinturas no Porto de Maceió, nas intermediações do prédio do Ministério Público Federal (MPF) e na BR-301, próximo ao Aeroporto Zumbi dos Palmares.

De acordo com Oliveira, a paixão pela pintura é antiga. Foi na 5° série do Ensino Fundamental que descobriu a sua vocação para arte. “Sempre gostei de desenho. Lembro que na infância minha professora de Artes me reprovou por conta dos meus trabalhos. Colegas de turma pagavam para profissionais fazerem, enquanto eu fazia sozinho. Ela não gostava das minhas criações porque sempre ficava diferente. Era as mais julgadas”, disse ele, acrescentando que se considera um pintor contemporâneo.

Ainda segundo o artista -que ver no espanhol Pablo Picasso uma inspiração-, sua escola de aprendizagem foi poder retratar, desde os dez anos de idade, obras de grandes mestres. “Sempre estudei por conta própria. Pesquisei muito sobre Arte Rupestre, além de reproduzir obras do Cubismo, Renascimento, Barroco e Surrealismo. Também sou um grande admirador de Candido Portinari e Tarsila do Amaral”, pontuou.

 

Com experiência também na pintura mural, Edmilson Oliveira revelou que encontrou o seu caminho na arte ao juntar todos esses movimentos artísticos com figuras típicas do Nordeste. “Sou um nordestino nato. Gosto de retratar nossa história em muros, esculturas e telas. Gosto de juntar o Cubismo com o Nordeste. Posso dizer que sou um neo-cubista”, brincou.

ESCOLA EM QUEBRANGULO 

Além de pintar, o artista se propôs a ensinar. Colaborador da ‘Associação Nordesta – Reflorestamento e Educação’, ele ministrou por 18 anos oficinas de pintura a jovens e crianças do município de Quebrangulo, na Zona da Mata do estado. Conforme Oliveira, a ONG foi fundada em 1985, na Suíça e efetua trabalhos em Alagoas também.

“Tinha cerca de 40 alunos na época. Recordo-me que na sala de aula uma adolescente de 16 anos já pintava murais com excelência. Era muito gratificante ver os jovens se dedicando a arte, ao meu trabalho, sabe? Eles sempre compareciam aos encontros”, disse ele, revelando que o músico alagoano Mano Walter também foi seu aprendiz.

EXPOSIÇÃO NA EUROPA

Em janeiro de 2011, em comemoração aos 25 anos da Associação ‘Nordesta- Reflorestamento e Educação’, Edmilson Oliveira foi convidado para expor seus trabalhos em Genebra, na Suíça. Segundo ele, de 70 obras produzidas, 40 foram vendidas em apenas um dia de exposição.

“Não tenho palavras para descrever aquele momento. Foi muito especial para a minha vida pessoal e profissional. Ouvir de uma cliente que o colorido das minhas obras deram cor ao inverno do lugar, me encheu os olhos de alegria”, relembrou animado.

Ainda segundo Edmilson, os momentos bons não acabaram por aí. Meses depois foi convidado por outra ONG, também com sede na Suíça, para esculpir a imagem de dois pássaros. Na ocasião, para representar o Brasil, decidiu retratar o tucano -ave com seu habitat nas florestas da América Central e América do Sul- e uma coruja.

“Só aceitei participar com uma condição: retratar um pássaro de origem brasileira. Para esculpir o tucano, utilizei garrafa pet e barras de ferro. A escultura media cerca de três metros. Já a outra, foi uma escolha do público Suíço. Retratei uma coruja com os mesmos materiais”, afirmou.

Conforme Edmilson, apesar de tantos trabalhos apreciado pelo público, é a sua primeira obra que ainda lhe chama a atenção. O desenho de uma oca -habitação indígena brasileira- em uma tela pequena é a sua preferida.

“Algum tempo atrás o ex-secretário de cultura de Paulo Jacinto tinha encontrado essa minha primeira obra. Era uma oca, mas que por ter sido feita em uma tela pequena, ficou semelhante a uns cogumelos. No entanto, ela é muito especial para mim. Me faz lembrar a minha história e a paixão pela pintura”, afirmou Oliveira, que produz suas artes na garagem de casa.

 

Com um grande acervo de fotografias, Edmilson revelou que o grande sonho é montar um museu para chamar de ‘seu’. “Pode até soar brincadeira, mas é a verdade. Pintar para mim não tem explicação e ter um lugarzinho com as minhas obras é um sonho que almejo muito, já que a casa de cultura de Paulo Jacinto foi fechada”, finalizou.

Fotos:


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