Por Vanessa Santos

Nos primeiros seis meses deste ano, Alagoas registrou 63 casos de leishmaniose, também conhecida como calazar, em humanos, um número 30% maior do que o registrado durante todo o ano de 2017. A doença é grave e pode levar à morte se não for tratada da forma correta.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), em todo o ano passado foram 48 casos.

A maior parte dos registros da doença em humanos nos últimos meses está concentrada no Sertão alagoano. As cidades com mais casos de calazar são: Estrela de Alagoas (11), Palmeira dos Índios (8), Girau do Ponciano (5) e Santana do Ipanema (4).

No mesmo período, aumentaram também os registros de cães infectados – principais hospedeiros da leishmaniose visceral. De janeiro a dezembro de 2017, foram confirmados 69 casos de calazar canina. Somente no primeiro semestre de 2018, os casos chegaram a 350.

Em geral, a transmissão ocorre pelo mosquito-palha que pica o cão infectado com o protozoário leishmania chagasi e se torna o vetor da doença. Assim, os insetos infectam seres humanos e outros animais.

Em nota, a Sesau informou que os agentes de saúde municipais devem reforçar as buscas de casos em humanos ou cães . Disse ainda que quando a doença é identificada em cachorros, eles passam por exames. Neste período, é realizado o tratamento. Se, quando o resultado sair, for comprovada a doença e o tratamento não surtir efeito, o animal é sacrificado.

A secretaria explica também que os humanos precisam começar o quanto antes o tratamento nas unidades da atenção básica mais próximas de casa e complementar o atendimento no Hospital Escola Hélvio Auto, referência no Estado.

Em contato com o veterinário Edson Moura explicou que o tratamento dos animais com leishmaniose foi autorizado após decisão de 2013 do Superior Tribunal Federal (STF).

“Há um medicamento usado no tratamento que não cura, mas tira o parasita da pele do animal, e evita que o vetor transmita a doença para outros. É importante saber que todos os mamíferos são hospedeiros da leishmaniose, mas como nossa imunidade é melhor que a dos cães, a doença se manifesta mais neles”, afirma o veterinário.

Ele conclui dizendo que o sacrifício dos animais não diminui a incidência da doença. “Há muitos trabalhos escritos relatando isso. O cão serve de sentinela para a sociedade. Se há muitos casos da doença em animais, especialmente em cão, é um informativo à secretaria de saúde para rever como fazer o controle do vetor. A questão é essa”.

A Sesau também reforçou o monitoramento dos municípios com maior número de casos e garantiu que vai capacitar as equipes para que o diagnóstico seja fechado mais rapidamente e evitar subnotificação.


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