Organização da Vaquejada do Pilar se antecipa e transfere evento para Pernambuco

| Redação Rádio Sampaio


ongs-se-unem-para-lutar-contra-vaquejada-no-brasil-ceara-veddas-camaleao-abolicaoO pedido de tutela liminar ingressado pelo promotor da comarca do Pilar, Jorge Dória, foi considerado precipitado pelos organizadores locais da etapa nacional do 14º Campeonato Brasileiro de Vaquejada, que seria realizada entre os dias 23 e 27 deste mês na cidade alagoana. O deputado federal e um dos responsáveis pelo evento Artur Lyra afirmou, na tarde desta segunda-feira (14), que a organização do evento se antecipou à decisão judicial e transferiu a etapa da vaquejada em Alagoas para o município de Bezerros, em Pernambuco, onde existe um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público Estadual Pernambucano (MPE-PE) para que ele aconteça.

De acordo com Artur Lyra, proprietário do Parque Artur Filho, local onde seria realizada a vaquejada, quem saiu perdendo com a transferência para o estado vizinho foram os alagoanos e, principalmente, a economia da cidade do Pilar, pois mais de 500 empregos diretos seriam ofertados. Além disso, tem também as diárias das pousadas e hotéis do Pilar e de Maceió, que foram todas canceladas.

“Toda uma cidade estava se preparando para receber um dos maiores eventos do Brasil, com movimentação financeira de mais de R$ 3 milhões. Hotéis, pousadas, restaurantes, comércio local, rede de transportes, tudo isso foi perdido por conta dessa ação do MP”, afirmou.

Ainda de acordo com Lyra, a lei que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional é do Ceará e o acórdão ainda não foi publicado, por isso, o resultado ainda pode ser alterado. Segundo ele, o promotor não conhece de perto a realidade da vaquejada, que há muitos anos deixou de usar técnicas que poderiam causar maus tratos aos animais.

“É preciso que conheçam de perto a vaquejada para saberem que não existem maus tratos. No texto dizia que a cabeça do boi era quebrada e o rabo arrancado. Coisas que não acontecem há mais de 10 anos. Todas as precauções são tomadas para que o animal não sofra qualquer lesão”, disse.

Segundo o vice-presidente da Associação Alagoana de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ALQM), Henrique Carvalho,  está havendo equívoco não somente em relação às condições ambientais em que se realiza a vaquejada, mas também quanto à interpretação do que foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre essa atividade.

Defensoria

A Defensoria Pública do Estado de Alagoas ingressou com uma Ação Civil Pública a fim de garantir, sem qualquer embaraço dos órgãos públicos, a realização da 14ª Vaquejada.

Na visão da Defensoria, proibir a realização das vaquejadas com base na ideia de maus tratos é um ato apressado, pois não existe um estudo em Alagoas que aponte para a existência de maus-tratos durante os eventos.

“O judiciário, sem maiores aprofundamentos da causa e analisando a questão exclusivamente sob o ponto vista teórico, desprovido de elementos técnicos ou de situações fáticas específicas, decida apressadamente sobre uma manifestação cultural que se prática há mais de um século”, afirmam os defensores.

O órgão acrescenta ainda que os conselhos de Medicina Veterinária dos estados da Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Maranhão, Sergipe, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Piauí, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Alagoas e Paraíba são favoráveis à prática da vaquejada.

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