Homens, com ensino médio completo e acima dos 30 são maioria entre os candidatos

| radio sampaio


Dados disponibilizados pelo Superior Tribunal Eleitoral (TSE) esta semana revelam que 7.136 candidatos devem disputar as eleições municipais este ano em Alagoas. Mas, se engana quem pensa que o grande número de concorrentes é sinônimo de diversidade. As estatísticas revelam que homens, com ensino médio completo e acima dos 30 são maioria no pleito.

Os homens representam 69% dos que pediram o registro de candidatura, contra 31% de mulheres. São 4.924 homens e 2.212 mulheres. O percentual de candidatos é 1% menor do que o registrado na eleição de 2014 e atende, basicamente, a uma determinação da lei, que determina a reserva de, no mínimo, 30% das candidaturas para as mulheres.

“Esses números não são representativos do perfil da população e, de forma mais específica, dos eleitores. O que temos, mesmo com as cotas, é uma sub-representação feminina. E tende a piorar depois da divulgação dos resultados. Em geral, a representação feminina nos cargos públicos gira em torno de 10% apenas”, explica a cientista política Luciana Santana.

Quando o quesito é grau de escolaridade, as estatísticas do TSE mostram que houve uma mudança no perfil dos candidatos em Alagoas, na comparação com os números da eleição de 2014. À época, a maioria dos candidatos tinha nível superior completo. Logo abaixo estavam os que tinham ensino médio completo, seguidos dos que tinham superior incompleto.

Este ano, a maior parte dos candidatos tem ensino médio completo, seguido dos que têm superior completo. Mas, o que chama a atenção é o grande número de candidatos que têm ensino fundamental incompleto. Eles somam 1.053 pedidos de registro, um crescimento exponencial, se comparados a apenas 14 com a mesma escolaridade em 2014.

Luciana Caetano faz análise de dados disponibilizados pelo TSE

FOTO: ARQUIVO

No entanto, para a cientista política Luciana Santana, o grau de escolaridade não necessariamente implica em uma gestão melhor no caso de prefeitos. “Contribui, mas não define resultado político. É importante considerar as alianças políticas, expertises, bom assessoramento, visão estratégica, de planejamento e gestão”, explica.

E acrescenta: “A mesma lógica vale para os vereadores, é importante ter outras características para elaborar políticas públicas necessárias, eficazes e executáveis”.

Quando o quesito é média de idade, é possível notar que não houve mudança significativa entre o perfil dos candidatos que disputam a eleição deste ano e os que disputaram o último pleito. Candidatos entre 30 e 49 anos lideram as estatísticas, assim como aconteceu em 2014.

Os homens são maioria em praticamente todas as faixas etárias. A única exceção é entre candidatos que tem entre 18 e 19 anos. Neste caso, as mulheres representam 61,7% dos registros, contra 38,3% dos homens. Embora a legislação não permita a diplomação com menos de 18 anos, há dois candidatos que têm entre 16 e 18 anos.

“A população brasileira está envelhecendo, na verdade. Há 20 anos atrás tínhamos um outro perfil etário”, pondera Luciana Santana.

Questionada sobre o impacto que as mudanças nas regras eleitorais provocaram nas candidaturas e devem provocar na eleição, a cientista política diz que ainda é cedo para fazer um diagnóstico. “É a primeira eleição sob novas regras, por isso não é possível ter noção clara dos impactos no resultado eleitoral, mas é possível notar que o candidato terá que se dedicar mais e de forma integral à campanha, utilizar estratégias mais eficientes para conseguir comunicar melhor e convencer o eleitor que ele é a melhor opção”.

E conclui: “Vivemos um momento delicado, de muita incerteza e pessimismo. Do ponto de vista político, vislumbro mudanças apenas com um novo pleito eleitoral e, provavelmente, só ocorrerá em 2018. É importante que aconteça uma boa renovação política, principalmente do Congresso Nacional”.

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