Furacão Dorian se aproxima dos EUA após devastar Bahamas e deixar ao menos 30 mortos

Homem caminha entre escombros de casas destruídas pelo furacão Dorian na ilha Grande Abaco, nas Bahamas, em 2 de setembro — Foto: Reuters/Dante Carrer
Homem caminha entre escombros de casas destruídas pelo furacão Dorian na ilha Grande Abaco, nas Bahamas, em 2 de setembro — Foto: Reuters/Dante Carrer

Os efeitos do furacão Dorian já foram sentidos no sudeste dos Estados Unidos, com fortes ventos e uma chuva torrencial nesta quinta-feira (5), depois de o fenômeno ter devastado o norte das ilhas Bahamas, onde deixou ao menos 30 mortos e milhares de pessoas sem casa.

Os residentes da Carolina do Norte e da Carolina do Sul resistiam à chegada do furacão de categoria 2 à medida que aumentavam os esforços internacionais para ajudar as vítimas de Dorian nas ilhas baamianas que receberam o maior impacto: Grand Bahama e Ábaco.

A monstruosa tempestade também provocou vários tornados no sudeste americano, mas não foram reportadas vítimas imediatamente.

Em Charleston, Carolina do Sul, os fortes ventos derrubaram árvores, semáforos e postes de luz. As ruas estavam desertas e a maioria dos comércios tinham as janelas tapadas.

Às 14 horas (15 horas em Brasília), o Centro Nacional de Furacões (NHC), com sede em Miami, informou que Dorian soprava com ventos máximos sustentados de 175 Km/hora. Situava-se a 95 Km de Myrtle Beach, na Carolina do Sul, deslocando-se para o nordeste a 13 Km/hora.

Várias nações se somaram aos esforços de resgate para as milhares de vítimas de Dorian nas ilhas Ábaco e Grand Bahama, no norte do arquipélago, enquanto nos Estados Unidos os residentes da Carolina do Norte e Carolina do Sul se preparavam para uma tempestade de categoria 2.

O estado da Flórida saiu em grande medida ileso da passagem de Dorian. “Tivemos sorte na Flórida. Muita, muita sorte na verdade”, disse o presidente Donald Trump.

Destruição inimaginável

Funcionário de companhia de energia trabalha para consertar sistema em Emerald Isle, na Carolina do Norte, na quinta-feira (5) — Foto: AP Photo/Tom Copeland
Funcionário de companhia de energia trabalha para consertar sistema em Emerald Isle, na Carolina do Norte, na quinta-feira (5) — Foto: AP Photo/Tom Copeland

Dorian soprava com intensidade de categoria 5 quando se instalou durante quase dois dias sobre o norte das Bahamas, onde deixou uma destruição inimaginável.

Uma equipe da AFP que sobrevoou o povoado de Marsh Harbour na quinta-feira viu cenas de danos catastróficos, centenas de casas completamente destruídas, carros virados, campos inteiros de escombros e inundações generalizadas.

Pôde-se observar uma equipe de pessoas mascaradas com trajes protetores brancos carregando cadáveres em bolsas verdes sobre a plataforma de um caminhão.

Alguns residentes ainda aturdidos pela tempestade tinham saído às ruas arrastando suas malas com suas posses mais valiosas.

Ajuda após furacão nas Bahamas ainda é insuficiente, diz voluntária que mora no arquipélago.

A extensão do dano nas Bahamas começava a ser conhecida nesta quinta, à medida que as equipes de socorro conseguiram percorrer a área para resgatar sobreviventes e levar ajuda às vítimas.

Johnny Crawford usa caiaque para atravessar rua alagada em Charleston, na Carolina do Sul, na quinta-feira (5) — Foto: AP Photo/Meg Kinnard
Johnny Crawford usa caiaque para atravessar rua alagada em Charleston, na Carolina do Sul, na quinta-feira (5) — Foto: AP Photo/Meg Kinnard

O primeiro-ministro baamiano, Hubert Minnis, disse que o furacão deixou uma “devastação geracional” e ao menos 30 mortos, embora essa cifra ainda deva aumentar.

As Nações Unidas enviarão “em breve” oito toneladas de víveres às Bahamas, onde cerca de 76 mil pessoas podem estar precisando de ajuda, 60 mil delas na forma de comida, segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA).

“As projeções realizadas justo antes do impacto do ciclone indicam que mais de 76 mil pessoas em Ábaco e Grand Bahama podem estar precisando de comida ou ajuda humanitária”, informou um porta-voz da agência especializada da ONU, Herve Verhoosel.

O secretário-geral adjunto para Assuntos Humanitários da ONU, Mark Lowcock, disse depois de se reunir com Minnis que precisa-se com urgência de abrigos, água potável, alimentos e remédios para cerca de 50 mil pessoas em Grand Bahama e para entre 15 mil e 20 mil em Grande Ábaco.

“É um inferno por todos os lados”, disse à AFP Brian Harvey, um canadense que vive em Ábaco.

“Precisamos sair daqui”, acrescentou. “Passaram-se já quatro ou cinco dias, é hora de ir embora”.

Steven Turnquest, que foi de Marsh Harbour para Nassau com seus filhos de quatro e cinco anos, disse à AFP que tem sorte de estar vivo.

“Vejo meus filhos e agradeço a Deus, peço a ele que me leve, mas não leve meus filhos. Sobrevivi ao furacão me segurando em uma porta”, contou.

Saqueadores advertidos

Funcionário de companhia de energia trabalha para consertar sistema em Emerald Isle, na Carolina do Norte, na quinta-feira (5) — Foto: AP Photo/Tom Copeland
Funcionário de companhia de energia trabalha para consertar sistema em Emerald Isle, na Carolina do Norte, na quinta-feira (5) — Foto: AP Photo/Tom Copeland

Minnis advertiu que os saqueadores serão punidos “com todo o peso da lei” e afirmou que haviam sido mobilizados agentes adicionais das forças de segurança.

A Guarda Costeira americana e a Marinha Real britânica transportaram sobreviventes e provisões de emergência à medida que as águas das inundações retrocediam nas Bahamas.

“Estamos correndo contra o tempo para ajudar os necessitados”, disse o secretário-britânico de Desenvolvimento Internacional, Alok Sharma.

Em Grand Bahama foram usadas motos aquáticas e botes para retirar vítimas das casas inundadas ou destruídas pela tempestade.

Helicópteros americanos e britânicos realizavam evacuações médicas, avaliações aéreas para ajudar a coordenar os esforços de socorro e voos de reconhecimento para conhecer os danos.

Trump falou por telefone com Minnis e prometeu a ajuda de seu país, disse a Casa Branca.

Fonte: G1


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