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Consultórios farmacêuticos: entenda como é atendimento que vem sendo oferecido a população

Espaços são destinados a atendimento personalizado oferecido pelo farmacêutico. Conceito foi definido em portaria de 2013 do Conselho Federal de Farmácia e Brasil já tem cerca de 1,4 mil unidades.

Por: Cayo César

Desde 2014, algumas farmácias e clínicas no Brasil passaram a ter um espaço destinado ao atendimento personalizado do paciente pelo farmacêutico. Nos chamados consultórios farmacêuticos, o profissional pode avaliar o conjunto dos remédios que o paciente está tomando quanto a possíveis interações, orientar sobre a melhor forma de tomar a medicação, ouvir o paciente sobre sua evolução clínica, fazer contato com o médico ou outros profissionais da saúde que acompanham o paciente para discutir o tratamento e indicar medicamentos isentos de prescrição médica.

O conceito de consultório farmacêutico foi definido em duas portarias do Conselho Federal de Farmácia (CFF) publicadas em 2013 e a existência desse espaço é também apoiada pela Lei 13.021, de agosto de 2014, que dispõe sobre o exercício das atividades farmacêuticas. Segundo dados preliminares do Censo Demográfico Farmacêutico feito pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), já existem 1.453 consultórios farmacêuticos em todo o país.

De acordo com a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), só as redes associadas têm, juntas, quase 600 salas de assistência farmacêutica em 26 estados do país. Ainda é um percentual pequeno diante das quase 80 mil farmácias comerciais que existem no Brasil. Segundo um levantamento feito pelo CFF sobre o perfil do farmacêutico no Brasil, publicado em 2015, 60,3% dos profissionais afirmaram que não dispõem de área reservada para atendimento individualizado dos pacientes nos estabelecimentos em que trabalham.

Dr. Phellipe Brandão (Foto: Assessoria/Análise Saúde)

Para o farmacêutico Phellipe Brandão, farmacêutico bioquímico e hematologista clínico, os mais beneficiados é a população que tem um atendimento com mais qualidade e conforto . “É um espaço onde o farmacêutico pode atender as pessoas preservando a individualidade da consulta, o que não seria possível em um local onde transitam outras pessoas e se dispensam medicamentos, como no balcão”, diz Brandão.

Que atendimentos podem ser feitos nos consultórios farmacêuticos?

  • Orientação do paciente sobre como usar medicamentos prescritos
  • Avaliação do conjunto de medicamentos usados pelo paciente quanto a dosagem, horário de consumo e possíveis interações
  • Comunicação com outros profissionais da saúde que atendam o paciente para emitir parecer farmacêutico e discutir tratamentos de forma integrada
  • Encaminhamento de paciente a profissionais de saúde
  • Conversa com paciente sobre sintomas e evolução da doença
  • Caso necessário, pedido de exames laboratoriais e realização de medidas como as de pressão e temperatura
  • Registro de ações em prontuário do paciente
  • Prescrição de medicamentos que sejam isentos de prescrição médica

Que atendimentos NÃO podem ser feitos nos consultórios farmacêuticos?

  • Receita de medicamentos que exigem prescrição médica
  • Mudança de remédios indicados por médico
  • Procedimentos de execução exclusiva por médicos

Como funciona o atendimento?

Dr. Phellipe Brandão que está à frente de uma das maiores clínica de diagnostico em Palmeira dos Índios, e que conta com o consultório farmacêutico. Ele conta que o atendimento no consultório farmacêutico pode começar de duas formas: em algumas situações, o próprio paciente procura o farmacêutico com queixas de saúde ou dúvidas sobre seu tratamento; em outras, o farmacêutico detecta uma situação atípica durante o atendimento ou exames comuns e convida o paciente para uma consulta.

Segundo uma pesquisa do ICTQ que ouviu 2.115 pessoas em todas as regiões do país, 73% da população ouvida prefere farmácias que tenham consultórios para atendimento por parte do farmacêutico e 61% diz que confia em um farmacêutico para obter receita de medicamentos.

“O farmacêutico clínico não veio para tomar o lugar do médico, mas para intermediar a relação entre pacientes e médicos. Somos um elo para agregar qualidade de vida ao paciente”, explica Walter da Silva Jorge João, presidente do Conselho Federal de Farmácia.


Estudo explica o que acontece com o cérebro no momento em que morremos

O que passa em nossa cabeça no momento da morte?

Não se sabe exatamente e, embora os cientistas tenham alguma resposta, a resposta continua sendo um grande mistério. Além de difícil solução, tentar respondê-la pode criar implicações éticas.

No entanto, uma equipe de cientistas da Universidade Charitée, em Berlim, e também da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, encontraram uma maneira de realizar um pioneiro estudo sobre a neurobiologia da morte. A pesquisa foi liderada pelo cientista Jens Dreier.

O título da pesquisa foi “Depolarização da difusão terminal e silêncio elétrico na morte do córtex cerebral humano”. Para realizá-la, os cientistas precisaram do consentimento dos parentes de vários pacientes terminais. O estudo exigia um monitoramento neural considerado invasivo.

Os pacientes tinham sofrido terríveis acidentes de trânsito, acidentes vasculares cerebrais ou paradas cardíacas. Ou seja, nesses casos, não havia mais como salvá-los, segundo os pesquisadores.

Ao trabalhar com essas pessoas, os cientistas descobriram que os cérebros dos animais e dos seres humanos morrem de uma maneira parecida. Eles agora dizem mas que também existe um exíguo momento em que o funcionamento do cérebro pode ser restaurado, ao menos de forma hipotética.

O objetivo do estudo não era apenas observar os últimos momentos de um cérebro, mas também compreender como seria possível salvar vidas no futuro.

Cérebros de animais

Grande parte do que até então se sabia sobre a morte cerebral era produto de experimentos com animais, realizados no século passado.

Até então, o que se conhecia era o seguinte:

“A lesão total e irreversível dessas células se desenvolve em menos de dez minutos quando a circulação cessa completamente”, explica um dos cientistas no estudo.

Cérebro humano

A equipe de pesquisadores queria ter mais detalhes sobre o que acontece com o cérebro dos humanos, algo que ainda estava cheio de enigmas.

Para isso, à medida que o paciente terminal piorava, os cientistas monitoraram sua atividade neurológica usando dezenas de eletrodos.

Em primeiro lugar, em oito dos dez pacientes, os pesquisadores detectaram o movimento de células cerebrais que tentavam impedir o inevitável, ou seja, a morte que já se avizinhava.

De maneira geral, os neurônios funcionam com íons carregados, o que cria desequilíbrios elétricos entre eles e seu ambiente – isso permite que pequenos choques, ou sinais, sejam criados. Para os autores do estudo, a manutenção desse sistema fica mais difícil quando a morte está chegando.

Para se alimentar, essas células “bebem” oxigênio e energia química da corrente sanguínea. Quando o corpo morre e o fluxo de sangue que chega ao cérebro para, os neurônios – privados de oxigênio – tentam uma de suas últimas saídas: acumular os recursos que sobraram, dizem os pesquisadores.


Mulher entra em trabalho de parto dentro de ônibus

Uma situação inusitada aconteceu no início da noite desta quinta-feira, 08, no bairro do Farol, em Maceió. Uma mulher entrou em trabalho de parto dentro de um ônibus.

A informação foi confirmada pela assessoria do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que foi acionado por populares que estavam no local.

A mulher que ainda não teve a identidade confirmada, estava dentro do veículo de transporte coletivo, da empresa Real Alagoas, quando passava pela Avenida Tomás Espíndola,  e começou a sentir as primeiras contrações e precisou do atendimento médico.

A equipe examinou a paciente e a encaminhou para o Hospital do Açúcar. Não há mais informações sobre o estado de saúde da mulher e do bebê.


Alagoas tem quatro casos de febre amarela em investigação

Alagoas quatro casos de febre amarela sob investigação. É o que aponta relatório divulgado, na tarde desta quinta-feira (1°), pelo Ministério da Saúde, referente aos meses de janeiro e fevereiro deste ano. O boletim se baseia nos dados repassados pelas secretarias estaduais. Outros dois casos foram descartados.

No início do mês, o mesmo levantamento apontou apenas dois casos notificados de febre amarela, com um deles já descartado.

Em nota encaminhada à imprensa, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que não há circulação do vírus da febre amarela em Alagoas, onde também não há nenhum caso confirmado da doença.

No comunicado, esclarece, ainda, que todos os seis casos notificados são “importados” de outros estados – São Paulo, Ceará, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Quanto aos quatro casos ainda investigados, a secretaria diz aguardar o resultado de exames laboratoriais realizados pelo Instituto Evandro Chagas, no Pará.

A Sesau reforça que os casos suspeitos não inspiram cuidados, “uma vez que, clinicamente, já foram descartados”, acrescentando que em apenas um município alagoano – Delmiro Gouveia – a vacinação é recomendada, em razão da proximidade com a cidade baiana de Paulo Afonso, onde se registrou casos da doença.

“Quanto aos demais municípios alagoanos, incluindo Maceió, não há recomendação de vacina, destinada apenas às pessoas que irão viajar para os estados em que há circulação do vírus da febre amarela”, diz trecho do comunicado.

Confira, abaixo, a íntegra da nota:

*NOTA DE ESCLARECIMENTO*

*ALAGOAS NÃO TEM CIRCULAÇÃO DO VÍRUS DA FEBRE AMARELA*

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) esclarece que não há circulação do vírus da febre amarela (nem silvestre e nem urbana) em Alagoas e nenhum caso da doença foi confirmado no Estado. Informa que de janeiro a fevereiro deste ano já foram notificados seis casos suspeitos da doença, que são importados de outros estados (SP, CE, MG e RJ), e que dois deles já foram descartados e quatro permanecem aguardando o resultado dos exames laboratoriais, que são realizados no Instituto Evandro Chagas (IEC), no Pará.

Salienta que os casos suspeitos não inspiram cuidados, uma vez que clinicamente já estão descartados. Evidencia que, quanto à vacina, em Alagoas a recomendação é apenas para os moradores de Delmiro Gouveia, por está situado vizinho ao estado da Bahia, onde há o registro de casos da doença. Quanto aos demais municípios alagoanos, incluindo Maceió, não há recomendação da vacina, apenas para as pessoas que irão viajar para outros estados onde há circulação do vírus da febre amarela.

Campanha

O Ministério da Saúde, por sua vez, reforça a importância da vacinação da população dos estados do Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo durante a campanha contra febre amarela. Dados preliminares dos três estados apontam que, até 27 de fevereiro, 5,5 milhões de pessoas foram vacinadas. O número corresponde a 23,2% do público-alvo previsto na campanha. .

E para auxiliar os estados e municípios na realização da campanha, o Ministério da Saúde já repassou aos estados, no ano de 2018, 20,2 milhões de doses da vacina. Para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, foram enviados 15,7 milhões de doses para a Campanha de Vacinação Contra a Febre Amarela. Foram 10,7 milhões para São Paulo, 4,7 milhões para o Rio de Janeiro e 300 mil para a Bahia.


Joelma Toledo apresenta campanha “Coração de Mulher” na Câmara de Vereadores

Vereadora Joelma Toledo (PMDB) (Foto: Assessoria/Câmara)

O projeto de lei de número 03/2018, que fala sobre a campanha Coração de Mulher, apresentado pela vereadora Joelma Toledo (MDB), foi apresentado na última quarta-feira (21), foi aprovado por unanimidade pelos vereadores presente.

“O Coração de Mulher é uma campanha de conscientização do público feminino sobre os riscos de problemas cardíacos em mulheres. Normalmente os problemas de coração são associados aos homens, e na maioria das vezes as mulheres descobrem que sofrem problemas cardíacos quando estes já se encontram num estado avançado, o que dificulta o tratamento.” explicou Joelma Toledo.

Segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), respondem por um terço das mortes no mundo, com 8,5 milhões de óbitos por ano, ou seja, mais de 23 mil mulheres por dia. Entre as brasileiras, principalmente acima dos 40 anos, as cardiopatias chegam a representar 30% das causas de morte, a maior taxa da América Latina.

A campanha aborda o tema de forma delicada e com muito bom gosto, porém ele também tem impacto e capacidade de despertar no público feminino uma maior atenção ao problema.

 


Corpo de mergulhador ‘infla’ de vez e intriga cientistas

Alejandro Ramos não chega a ter 1,60 metro de altura, mas usa camisetas que poderiam ser de uma pessoa bem maior. Seus ombros mal cabem nas mangas ou nas da jaqueta azul que um amigo adaptou com tecido da mesma cor para que seus braços pudessem entrar.

Ramos, ou Willy, como é chamado por sua família, mostra o presente com orgulho no quarto que ocupa no Centro Médico Naval, na capital do Peru, Lima, desde dezembro, quando a Marinha decidiu estudá-lo.

Seu caso é inédito na história do mergulho, atividade que pratica em sua profissão. Há quatro anos, minutos após ter emergido da água, seu corpo começou a inchar, mantendo-se assim desde então.

Dos cotovelos para baixo, seus braços poderiam ser os de qualquer outro homem de 56 anos saudável. São seus bíceps, com 62 e 72 cm de circunferência, que atraem os olhares e fazem com que ele tenha vergonha de sair na rua.

As protuberâncias se fundem com seus ombros. Seu peitoral inflado cai sobre seu estômago – suas costas, cintura e coxas também têm um volume maior do que o normal. Ao fator estético, somam-se a dor nos ossos e o chiado em seu peito toda vez que respira.

Até a bexiga aguentar

Willy está convencido de que tudo isso são sequelas de um acidente de trabalho no fim de 2013, enquanto mergulhava a mais de 30 metros de profundidade em busca de mexilhões presos a penhascos e barrancos submarinos.

Os mergulhadores como ele trabalham de forma artesanal e passam horas desprendendo e coletando os moluscos antes de voltar à superfície. O tempo que passam submersos em meio a frias correntes marítimas é determinado por sua “necessidade de urinar”, como explicam vários profissionais de Pisco, cidade pesqueira 230 km ao sul da capital peruana, Lima.

Willy diz que aguentava por até oito horas. “Subia para urinar às vezes, mas achava que era uma perda de tempo”, recorda-se. Esvaziar a bexiga a tal profundidade não é uma opção quando se usa um traje feito com câmaras de pneus de caminhão.

Os mergulhadores mais jovens preferem usar roupas de neoprene, que custam em média US$ 200 (R$ 650), mas, para um pescador de mexilhões, elas não duram nem quatro meses, segundo Enrique Quino, um artesão de Pisco que desmonta rodas para fabricar os trajes de borracha, pelos quais cobra US$ 183 (R$ 596) e que, segundo ele, duram por três ou quatro anos.

O traje é composto por uma jaqueta e uma calça tão grandes que dentro cabem o pescador e várias outras camadas de roupas de frio. Inclui pés de pato, máscara e um cinto de chumbo que os ajuda a afundar.

O acidente
Assim estava vestido Willy quando, quase ao final de sua jornada de trabalho, ele notou que a mangueira em sua boca havia começado a roubar seu ar em que vez de fornecê-lo. “Todo mergulhador sabe o que isso significa.”

Um mergulhador nunca sai sozinho para pescar. Tripulantes vários metros acima de sua cabeça se encarregam de receber o produto coletado e colocar gasolina em uma máquina a cada 90 minutos.

O equipamento comprime o ar e o envia ao mergulhador por meio de uma mangueira. A maioria dos pescadores de marisco peruanos não usa reguladores, um acessório que garantiria de 10 a 15 minutos de oxigênio em caso de emergência.

Naquela tarde, uma lancha se aproximou demais da embarcação de Willy, em que seu filho e um colega esperavam por ele. A hélice deste barco rompeu a mangueira e obrigou o mergulhador a subir 36 metros de uma só vez. Um trajeto de poucos minutos que podia ter lhe custado a vida.

O perigo do nitrogênio

“Quando mergulhamos, estamos a uma pressão maior, o que faz com que o ar e o oxigênio sofram mudanças físicas”, explica Raúl Alejandro Aguado, médico subaquático do Centro Médico Naval.
O ar é 78% composto por um gás que o corpo humano não usa: o nitrogênio. A pressão no fundo do mar faz com que ele se dissolva e se abrigue no tecido adiposo. Mas, no retorno à superfície, o nitrogênio entra no sistema sanguíneo, onde começa a voltar a seu estado gasoso.

Por isso, um mergulhador deve subir em etapas, com paradas de tempos em tempos. Uma subida rápida pode gerar bolhas de nitrogênio grandes demais, que podem obstruir a circulação sanguínea e gerar uma síndrome de descompressão.

Por sua vez, uma subida mais lenta dá ao gás tempo suficiente para viajar pelos vasos enquanto ainda tem pouco volume até chegar aos pulmões, por onde são expelidos do organismo. Há tabelas que indicam quantos minutos ou até mesmo horas que devem dedicar à subida em função do tempo e da profundidade a que ficaram submersos.

Não seguir isso pode fazer com que o nitrogênio se expanda em locais como os ossos, gerando necrose, a morte de um tecido por falta de irrigação. Esse mal pode ser identificado por sintomas como inchaço, dores de cabeça e cansaço. Em casos mais graves, pode causar acidentes cardiovasculares que podem deixar uma pessoa paralisada e até matá-la.

42 metros abaixo d’água
Willy perdeu uma das pernas aos 30 anos, pouco depois de ter decidido seguir os pais e trabalhar com a pesca submarina. “Mas isso é normal acontecer com mergulhadores”, afirma.

Naquela época, seus colegas o chamavam de pampito, porque ele não se atrevia a ir muito fundo (os pescadores peruanos chamam de pampa a parte mais rasa). “Mas meu fiho mais velho era asmático. Respirava com dificuldade”, conta.

Ele começou a ir mais fundo nas águas de Pisco para encontrar mais mexilhões e pagar pelo tratamento do menino, já que não tinha um plano de saúde. “Na época do meu pai, todas as ilhas de Pisco tinham mexilhões. Não era preciso ir além de 14 metros de profundidade. Agora, só os encontramos partir dos 25 metros”, lamenta.

Mas, às vezes, é preciso ir mais fundo, chegando a 42 metros. “Temos que nos arriscar, senão não faturamos.”

‘Deformado’, mas vivo
No dia do acidente, quando Willy por fim chegou à superfície, teve de recorrer a uma manobra de emergência: voltar a submergir à mesma profundidade e subir respeitando as paradas de segurança. “É como retomar uma descompressão que não foi feita”, explica Aguado. “Ajuda um pouco… mas não é algo muito seguro, porque, se o mergulhador ficar inconsciente na água, pode se afogar.”

O pescador assumiu o risco e afundou novamente no mar com um compressor emprestado por um lancha próxima. Mas os tripulantes deste barco estavam impacientes. Haviam terminado sua jornada de trabalho e queriam ir ao porto vender sua mercadoria.

A pressa falou mais alto que a solidariedade, e eles foram embora, deixando Willy sem um compressor. Assim, ele só pôde completar os primeiros 30 minutos das duas horas que, segundo as tabelas de descompressão, deveria ter dedicado à subida.

Ele chegou ao hospital de Pisco “inchado como uma batata”, recorda-se. “Foi um milagre eu ter me salvado. Agradeço a Deus que, bem, fiquei deformado, mas estou vivo… Ainda que, às vezes, eu fique triste porque não queria estar nesta situação.”

Um tratamento às cegas
Willy tentou buscar uma cura para seu inchaço nos primeiros meses após o acidente, mas não pôde pagar por ela por muito tempo. Os médicos nunca haviam visto um caso parecido e pediram que ele fizesse uma ressonância magnética para ver o que havia sob a grande massa que fez seu peso corporal aumentar em 30 kg. Mas é um exame caro e que deve ser feito em uma parte do corpo por vez.

Só em seu ombro, custaria ao menos US$ 150 (R$ 488), um valor muito alto para alguém que não tem renda. Mesmo com um emprego, ele teria dificuldades para pagar: como mergulhador, não ganhava mais do que US$ 30 (R$ 97) por dois dias de trabalho.

Sem a ressonância, os médicos com que ele se consultou trabalharam às cegas e atribuíram a inflamação a problemas de descompressão e receitaram o tratamento tradicional: a câmara hiperbárica.

Oxigênio como remédio
Mergulhadores sabem que a melhor arma contra a síndrome de descompressão é uma cabine onde a pressão atmosférica é elevada e se respira oxigênio. Assim, o gás consegue alcançar as zonas afetadas aonde não podia chegar de forma natural.

O Hospital San Juan de Dios de Pisco tem duas câmaras doadas por um consórcio de empresas para beneficiar os mergulhadores da região, mas o preço das sessões de tratamento é um impeditivo para eles.

Pedro Espinoza Aguilar, um mergulhador de 58 anos que segue trabalhando mesmo após ter ficado com sequelas de uma síndrome de descompressão, admite que a câmara traz um alívio momentâneo à dor nos ossos. “Mas é muito caro. E vivemos com o que ganhamos no dia. Se você trabalha, tem dinheiro. Se não trabalha, não tem.”

A maioria dos mergulhadores pensa como ele, então, só recorrem à câmara hiperbárica em casos de emergência. Willy, que já não pode trabalhar, diz que cobravam US$ 25 (R$ 81) por sessão. Seu médico convenceu o hospital a dar a eles sessões grátis, mas era uma tarefa difícil. “Nem por ser um caso inédito queriam me atender (gratuitamente)”, queixa-se.

‘Está horroroso’
Ainda que possa deixar sequelas, a síndrome de descompressão nunca é algo crônico, afirma Aguado. O corpo de Willy deveria ter voltado ao normal pouco tempo após o acidente. Ao ver que os médicos não sabiam o que se passava e que investigar sairia muito caro, ele começou a ficar desanimado.

Ele ficou ainda mais arrasado quando recebeu uma ligação de uma antiga namorada: “Ei, vi você no hospital. Você está horroroso, o que aconteceu? Nossa, que pena”. “A gente paga pelo que a gente faz, o mundo dá voltas”, diz o mergulhador, que décadas antes planejava se casar com a mulher – até deixá-la por outra. “Ela deve estar feliz, porque eu agora estou assim…”

Sua ex-namorada havia visto fotos de Willy expostas no corredor do hospital para explicar o que era a síndrome de descompressão. Segundo ele, sem sua permissão. A instituição não respondeu aos questionamentos sobre esse ponto.

Após a conversa, o mergulhador entrou em crise e não quis mais sair na rua. “Por três anos, várias pessoas me ligaram para dizer que eu tinha virado um monstro, que estava deformado. Fiquei deprimido. As pessoas te chamam de certas coisas, sentem pena… Passaram algumas ideias pela minha cabeça.”

Descompressão ou tumor?
Willy só se deixava ser visto em público quando visitava seus irmãos ou ía à praia nas horas menos movimentadas para ver o mar. “Quase não saio de casa, porque sinto vergonha quando as pessoas param para me olhar como se eu fosse um animal raro”, disse ele em uma conversa por telefone em setembro passado.

Agora que médicos estudam seu caso, ele garante ter recibido uma “injeção de ânimo” e que a “psicose” passou. Sua aparição em um programa de TV peruano fez o Centro Médico Naval conhecer sua situação e oferecer tratamento gratuito.

Nas últimas semanas, Willy fez as ressonâncias magnéticas, ultrassons e exames de medicina nuclear de que tanto precisava. Ele está sendo tratado apenas para as dores por enquanto, porque os médicos não estão certos de que seu problema foi causado pelo acidente de mergulho e buscam um diagnóstico mais preciso.

Segundo os primeiros resultados, o que gera as deformações não seria o gás preso em seu corpo, como se pensava até agora, mas a gordura que se desenvolve em sua hipoderme, a camada mais profunda da pele, explica Aguado.

O médico acredita que seria “imprudente” adiantar conclusões, mas admite que pode se tratar de uma espécie de tumor no tecido adiposo. “Se for assim, pode ser uma enfermidade congênita que não havia se manifestado até o acidente, coincidentemente.”

Outra possibilidade “mais remota”, diz, é que seja uma “sequela de mergulho nunca antes vista”. Mas já se concluiu que o mergulhador precisa de uma cirurgia em seu quadril, porque a necrose dos ossos dessa região está muito avançada.

Ele será operado gratuitamente, mas precisa obter a prótese por conta própria. Willy tem esperança que uma ONG ou empresa façam uma doação ao saber de seu caso.

O fim de uma carreira
Enquanto isso, o mergulhador aproveita os dias livres que os médicos lhe dão de vez em quando para ir a Pisco para ficar com sua família e ir ao porto, onde relembra seus dias dentro do mar. Faz isso às segundas, quartas ou sextas-feiras, dias em que pescadores vão ali vender suas mercadorias.

Entre caixas repletas de mexilhões, mariscos e caranguejos, é possível ver Willy caminhando com dificuldade, ainda que não seja o único nesta situação. À medida que a tarde avança, se reúnem ali mergulhadores aposentados que carregam sequelas da síndrome de descompressão.

Vão ao porto mendigar dinheiro ou um pouco de frutos do mar para vender e ter alguma renda, já que sua profissão não confere a eles o direito a uma pensão ao se aposentar. “É assim que nós, mergulhadores, terminamos, porque o Estado não se preocupa com a gente”, lamenta Willy.

Ele tem a sorte de poder contar com seus irmãos, que o ajudam e o sustentam. Mas, ainda assim, ele sonha em voltar a mergulhar. “Quero continuar a fazer isso, porque, além de ser minha fonte de renda, era meu hobby. Amo mergulhar.”

Fonte: Bem-Estar