No dia 31 de agosto o Teatro Deodoro terá como atração o espetáculo “Hilda e Freud”, escrito por Antônio Quinet, que também assina a direção em conjunto com Regina Miranda e divide o palco com a atriz Juliana Teixeira.

Em tempo, Quinet possui vasto currículo ligado à Psicanálise. É psicanalista,  psiquiatra, doutor em filosofia  e professor em importantes cursos de graduação de mestrado. Tem diversos livros da área publicados e adotados no Brasil. É também dramaturgo, encenador e ator.

A apresentação de Hilda e Freud em Maceió  acontecerá às 21h e os ingressos já estão à venda pelo site www.eventim.com.br, na Livraria Leitura e na Aimê Acessórios.

A peça é baseada em fatos reais. O texto foi inspirado nos escritos e na correspondência de Hilda Doolittle (1886-1961). No espetáculo  os espectadores assistem à trajetória e aos conflitos dessa delicada escritora e sua relação de amor em versos livres, definição de sua relação com seu psicanalista.

Com uma vida afetiva libertária e tumultuada, de uma sensibilidade extrema e melancólica, H.D. fez algumas tentativas de análise até chegar ao divã de Freud. Em março de 1933, desembarcou em Viena e instalou-se num hotel para sessões diárias no divã em que fez sua “grande viagem” com o Professor, o “médico irrepreensível”.

O que se propõe com o espetáculo é  um mergulho no mundo da poeta Hilda  a partir dessas de análise com Sigmund Freud, em plena efervescência da Viena da década de 30 sob a ascensão do Nazismo.  Pode-se afirmar até mesmo que a análise de Hilda com Freud compõe um dos mais importantes testemunhos sobre a prática da psicanálise efetuada por seu fundador.

Em seus escritos, Hilda expõe com detalhes seus encontros no consultório do pai da psicanálise, onde se despe de qualquer censura para reviver seu conturbado passado que resultou em um bloqueio literário.

A vida de uma mulher à frente de seu tempo, dona de um percurso marcado pelos traumas deixados durante a I Guerra Mundial, seus medos, amores, lutas, sonhos e alucinações suscitam em seu analista intervenções geniais que mudam a vida da escritora, além de fortalecer uma relação de forte amizade entre os dois.

Segundo o psicanalista (autor, diretor e ator)  Antonio Quinet, “As pessoas vão ver um Freud em ação de uma forma inimaginável através da visão de uma paciente, e não de seus próprios relatos”.

A peça mescla uma linguagem poética e erudita com projeções contemporâneas que ambientam o expectador na imaginação e no inconsciente dos personagens. A direção de arte e cenografia assinadas por Analu Prestes, transportam o público para o poder evocador dos versos e das imagens poéticas do universo imaginista (movimento literário inglês) do qual Hilda Doolittle foi o símbolo.

A produção dá continuidade à pesquisa “Teatro e psicanálise”, desenvolvida por Antonio Quinet no âmbito do mestrado e doutorado da Universidade Veiga de Almeida, na qual pretende transmitir a psicanálise através do teatro, e assim levar ao público, artisticamente, as descobertas da do inconsciente.

Um breve currículo de Antonio Quinet – Psicanalista, psiquiatra (Université Paris XIII), e doutor em filosofia (Université Paris-VIII). Membro da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano. Ancien Interne des Hôpitaux de la Region Parisienne, Membro da Associação Brasileira de Psiquiatria. Professor Adjunto do Mestrado de Psicanálise, Saúde e Sociedade da UVA. Pesquisador convidado do Instituto de Psiquiatria da UFRJ.

Docente de Formações Clínicas do Campo Lacaniano – Rio de Janeiro. Diretor da Cia. Inconsciente em Cena (vinculada à pesquisa Teatro e Psicanálise desenvolvida na UVA). Dramaturgo e encenador (“A lição de Charcot”, “X, Y e S – abertura do teatro íntimo de Strindberg”, “Artorquato”, “Oidipous, filho de Laios”, “Variações Freudianas 1: o sintoma”, “O Ato: variações freudianas 2”, “Abram-se os histéricos!” e “Hilda e Freud”). Editor da revista En-je (França).

Formação psicanalítica realizada nos anos 80 em Paris na École de la Cause freudienne. Foi Professor-assistente do Departamento de Psicanálise da Universidade de Paris VIII (Vincennes), defendeu aí sua tese de doutorado em Filosofia com a orientação de Alain Badiou.

Autor dos livros “Teoria e clínica da psicose” (5ª ed., Forense Universitária),“Artorquato” (Editora 7Letras), “X, Y e S – abertura do teatro íntimo de Strindberg”, “Oidipous, filho de Laios”, “Variações Freudianas 1: o sintoma”, “O Ato: variações freudianas 2” e “Hilda e Freud” (Editora Giostri). Em sua coleção própria na Editora Zahar publicou: “As 4+1 condições da análise” (13ª ed.), “A descoberta do inconsciente” (4ª ed.), “Um olhar a mais” (2ª ed.), “A lição de Charcot”, “Psicose e laço social” (2ª edição), “A Estranheza da Psicanálise: a Escola de Lacan e seus analistas”, “Édipo ao pé da letra” e na coleção Passo a passo, na mesma editora, “Os outros em Lacan”. Além disso no exterior “Las condiciones del analisis” (Atuel, Argentina), “Psicosis y lazo social” e “Hilda y Freud la Laguna Creativa” (Letra Viva, Argentina), “Hilda and Freud Collected Words” (Karnac – Londres) e “Un plus-de-regard” (Editions du Champ Lacanien, França – esgotado, no prelo como livro de bolso pela Editora Erès).

Co-autor e organizador das coletâneas “Jacques Lacan: a psicanálise e suas conexões” (Imago), “Extravios do desejo – depressão e melancolia”, “Psicanálise e psiquiatria – controvérsias e convergências” e “Na mira do Outro – a paranoia e seus fenômenos” (Marca d’Água Liv. e Ed.) e “As Homossexualidades na Psicanálise na história de sua despatologização” (Segmento Farma); autor de artigos publicados em revistas e livros na Argentina, Austrália, Brasil, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Inglaterra. Tradutor de Lacan no Brasil, foi responsável pelas versões dos Seminários 2 e 7 e de Televisão, além de outros artigos. Profere conferências e seminários em diversos países e cidades no Brasil.

Hilda e Freud – com Antonio Quinet e Juliana Teixeira

Teatro Deodoro

31 de agosto

21h

 


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