Alagoanos relatam controle de doenças com medicamentos à base de maconha

| Redação Rádio Sampaio


Uma decisão da Justiça Federal da Paraíba no final do ano passado, que libera o cultivo e a manipulação da maconha para fins medicinais, causou alívio em pacientes alagoanos atendidos pela Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace).

No estado, pelo menos duas pessoas fazem uso da cannabis e apontam melhorias na qualidade de vida desde que começaram a utilizar a substância enviada pela Abrace.

A dona de casa Fernanda Cavalcante conta que a filha, hoje com 23 anos, passou a sofrer com crises de epilepsia quando tinha um ano.

Segundo ela, as crises se agravaram com o passar do tempo e ela chegou a sofrer três convulsões por dia. O problema só foi atenuado em março do ano passado, quando ela começou a usar um óleo derivado da cannabis, após assistir a uma reportagem do programa Fantástico.

“Minha filha tomava três medicamentos anticonvulsivos por dia e, mesmo assim, não conseguia evitar as crises. Ela chegou a cair na rua, a se ferir. Hoje, ela faz uso de um óleo derivado da cannabis, usa duas vezes por dia, e há muito tempo não sofre com nenhuma crise. A qualidade de vida melhorou muito e ela voltou a estudar e a trabalhar normalmente”, explica Fernanda.

De acordo com ela, além da melhora na qualidade de vida, houve uma redução significativa nos valores gastos pela família com medicamentos.

“Nós gastávamos, em média, R$ 800 a cada mês com remédios para controlar as convulsões. Hoje ela gasta cerca de R$ 150 com um óleo que tem um efeito muito melhor do que os medicamentos tradicionais. Paralelo a isso, minha filha é acompanhada por uma neurologista que é favorável ao uso da cannabis para fins medicinais”.

Mirella é uma das alagoanas que usam medicamento à base de maconha

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Além do caso da filha de Fernanda Cavalcante, a Abrace disponibiliza em Alagoas um medicamento a base de cannabis para um paciente que sofre com o Mal de Parkinson.

RELATO DE ALÍVIO

Em contato com a Gazetaweb, Mirella Cavalcante, filha de Fernanda, disse que o mais importante neste tratamento com o uso do medicamento à base de maconha é a qualidade de vida que ganhou. Ela conta que, desde maio, não sofreu qualquer crise e o bem-estar é sentido a cada dia que passa.

“Eu estava desesperada e pensava que ia ter que sair do trabalho e parar de estudar para me tratar pelo resto da vida. O tratamento novo me permitiu viver melhor e estou muito feliz com a liberação do plantio da maconha para uso medicinal pela Abrace”, comentou a jovem.

Ela conta que o medicamento não causa efeito colateral, o que lhe permite ter qualidade de vida o tempo todo. “Somente no início do tratamento que senti um pouco de insônia, mas que passou ao longo dos dias”.

LIBERAÇÃO

A Justiça Federal na Paraíba decidiu, em novembro do ano passado, que a Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança, em João Pessoa, poderia manter o cultivo e manipulação da maconha para fins medicinais. À época, 151 pacientes associados à entidade foram atendidos pela determinação.

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